Por que tanto desprezo a ti, ó leitura?

Quando comecei a pensar neste texto, seu objetivo inicial era uma crítica à má qualidade na escrita por grande parte dos “publicadores de conteúdo” na Internet, dentre eles os blogueiros, cronistas das mais diversas áreas, estudantes e até jornalistas formados e renomados. Mas, como precisarei desenvolver um pouco melhor este tema, preferi divagar sobre a principal responsável pela qualidade na criação de conteúdo textual. A leitura.

O brasileiro é preguiçoso por natureza e esta asserção extende-se à leitura e, consequentemente, à utilização da língua. “O que importa é a comunicação”, dizem muitos. Concordo com a frase mas, lendo-a e relendo-a à exaustão não infiro a existência de nenhuma recomendação quanto ao menosprezo da forma em que a comunicação deva ser feita. A qualidade do ensino é pífia, a televisão e o rádio podem ser, muitas vezes, veículos corresponsáveis pelo emburrecimento nacional e a Internet instalou o referendo responsável para que entrasse em vigor a liberação do porte das armas letais para a língua portuguesa: blogs e redes sociais. Locais em que as mais terríveis aberrações linguísticas acontecem. É revoltante ver jornalistas ou comunicadores sendo péssimos exemplos na utilização da língua, mas, ainda pior, é triste ver adolescentes caminhando para o final da fase fundamental do Ensino incapazes de interpretar um texto, escrever uma simples redação ou elaborar um comentário em blog.

Sou a favor da evolução do idioma, de neologismos, de regionalismos e novas formas de expressão, mas não da propagação da burrice nacional.

O acesso à leitura é fácil. Para todos. Livros eletrônicos, bibliotecas, ONGs. Conheço tantas histórias de pessoas que vieram de classes mais baixas da sociedade e por dedicação e esforço conseguiram mudar seu caminho devido à entrega ao estudo e à leitura. O saber ler, interpretar e escrever são apenas bônus que a leitura oferece. A grande riqueza apresentada gratuitamente por um livro é a plataforma de embarque para um mundo de histórias, lições, sentimentos e cores jamais vistas ou experimentadas.

Leia Dostoievski, Victor Hugo e Antoine de Saint-Exupéry. Leia Machado de Assis, Fernando Pessoa e José de Alencar. Leia Chico Buarque, Ruy Castro e Jorge Amado. Leia J. K. Rowling, J. R. R. Tolkien e George R. R. Martin. Acesse o site dominiopublico.gov.br e tenha acesso a uma infinidade de esplêndidas criações literárias.

Leia e renasça.

Leia e descubra que não existem limites nas palavras.

Leia e amadureça.

Leia e adquira uma nova percepção para tudo a seu redor.

Prioridades invertidas, chacoalhões divinos e paradoxos da vida

Inevitavelmente a vida da maioria das pessoas possui ciclos semanais. A minha não é diferente e há um bom tempo estes ciclos têm se renovado quase que uniformemente, sem grandes alterações. Este último findou-se de maneira diferente, abrupta, o que me levou a escrever sobre estes três temas mencionados no título do texto.
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Por que não sou adventista?

Olha, essa é uma pergunta cuja resposta pensei que nunca precisaria explicar declarativamente afinal, o meu conceito de liberdade me permite – e também qualquer ser humano – crer, corroborar ou filiar-me a qualquer – ou nenhum – movimento religioso que desejar. Eu escolhi ficar com o “nenhum” pois fatos, leituras, vivências e decisões me mostraram que não preciso estar preso a nenhuma instituição para estar perto ou longe de Deus (por mais óbvio que esta afirmação seja). E algumas destas vivências me mostraram que ficar dentro de uma instituição pode até ser perigoso pela possível existência de uma sensação enganosa de que está tudo bem, quando, muitas vezes, pode não estar. Afinal, quem é imune à acomodação inerente a um banhinho nem muito quente nem muito frio… assim, bem morninho?
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Minha terra tinha palmeiras onde cantava o Sabiá

violencia_rio_de_janeiroManchetes deste início de semana noticiam a guerra entre traficantes e polícia no Rio de Janeiro. Quando a notícia é chamativa e envolve fatos inéditos ou quentes (neste caso o abatimento de um helicóptero da polícia e consequente morte de três policiais) o assunto toma proporções globais. Ainda mais quando o acontecimento se dá apenas alguns dias após a eleição da cidade maravilhosa como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Bandidos comemoram uma vitória cinematográfica ao mesmo tempo em que já temem os próximos passos da polícia, que usa palavras politicamente corretas para jurar vingança. A população, por seu lado, se encasula quando pode e tenta (sobre)viver no meio desta infindável guerra.

Não sou jornalista investigativo e muito menos um analista de estatísticas de ações efetuadas pelos governos federal, estadual e municipal nos últimos anos em prol da população carioca. Apenas a sensação que tenho é a de que nada muda e o assunto continua a ser tratado como de costume pelas autoridades, ou seja, enquanto a mídia abre grande espaço para o problema, elas mantêm o velho papo de “limparemos a sujeira“, ou “isso não se muda da noite para o dia” e ditam estatísticas de progressos (?!) no combate à violência. E basta o dólar se desvalorizar mais um pouco ou daqui a dois dias ser o último capítulo da novela das oito que aquela tão grande preocupação se esvai. Basta pressionar a descarga da memória pública.

O que sei é que sou um cidadão brasileiro, filho de carioca, quem passou praticamente todas as férias escolares de sua primeira década de vida nesta cidade hoje na mira das manchetes. Férias repletas de boas lembranças, não importa onde eu estivesse. Meados da década de 80, uma parte de minha família tinha uma linda mansão em uma tranquila rua de Jacarepaguá. Uma invejável alameda cercada por verdes morros, típico cenário do Salmo 23:2.

Assim como nas novelas de Manoel Carlos, minha família tinha seus núcleos. O núcleo “ZN” se distribuía entre uma adorável tia e sua família, quase vizinhos da família do Ronaldo Fenômeno em Bento Ribeiro, e meus avós e muitos tios espalhados em suas humildes casas nas ruas e morros da zona norte carioca.

Gostava muito de estar em Jacarepaguá, afinal, lá tinha piscina e uma quadra dentro de casa para me divertir com meus queridos primos mas sempre preferi estar junto de minha mãe visitando os parentes da zona norte. Assim, pegava o ônibus com ela e iniciava o delicioso passeio que passava por lugares com nomes legais e engraçados: Bento Ribeiro, Campo Grande, Meier, Pavuna, Rocha Miranda, Coelho Neto, Cascadura etc. Adorava ver meu tio Alcides cutucando a árvore para pegar jaca para comermos. Adorava subir nas lajes com meus primos para soltar pipa e depois descer e comer um apetitoso almoço na casa do tio Jorge. Jogar bola no asfalto com o chão pelando, sendo chamado de Paulistinha por vizinhos de meus primos. A casa de meu avô, no alto do morro Jorge Turco, era maravilhosa. Lá ficava a “Vendinha do Vico”, onde ele passava o dia inteiro tratando bem seus fiéis clientes, cuidando das dezenas de passarinhos que ele criava e me ensinando a separar o troco. Passava horas brincando com os gatinhos de minha avó e sempre que eu voltava para lá tinha um bichinho novo. Um cachorrinho quase morto que ela havia resgatado, uma gatinha prenha que não tinha onde achar repouso. As galinhas gordas que ele criava e sumiam quando eu voltava pra lá. Só depois de muito tempo descobri que elas tinham sido aquele almoço delicioso. Aliás, o mesmo aconteceu com aquele leitãozinho bonitinho que ficava por lá. Eu adorava tudo isso. Tios trabalhadores, todos! Apesar de, sim, já haver muitas histórias de criminalidade na região, o casal Álvaro e Alice criou muito bem todos os seus filhos e formou homens e mulheres de caráter. Que orgulho tenho disso!

Foram muitas férias assim, vividas intensamente por um menino que soube enxergar felicidade no meio da riqueza e no meio da pobreza. Gente digna. Gente boa de Deus que era feliz e celebrava a vida diariamente.

Mas o tempo passou e, no início da década de 90, em mais uma viagem de fim de ano com meus pais e irmão para visitar os avós, uma imagem diferente. Ao ver um menino poucos anos mais velho que eu, tive um diálogo com meu pai mais ou menos assim:

- Pai, ele está com uma arma de verdade?
- Filho, fique quietinho aí no banco. Sente-se direito.
- Mas é de verdade mesmo?
- Sim, filho. Agora fique quietinho.

Percebi em meu pai um semblante diferente, pesado. Em poucos instantes meu avô saiu, nos ajudou com as malas no carro e nos “protegeu” para entrar em sua casa. Em minha ingenuidade não poderia imaginar o que se passara na cabeça de meu pai. Com seus dois filhos ali, um carro novo com placa de São Paulo, bandidos a alguns metros do carro… Este episódio se passou há mais de quinze anos e foi a última vez em que a família viajou junta para visitar meus queridos avós. Onde estará hoje aquele menino com a metralhadora e várias caixas de fogos de artifícios próximas a ele? Se eu considerar as estatísticas as previsões são fatais, assim como fatal foi o câncer que matou meu querido avô.

Durante almoço com colegas de trabalho nesta semana assistimos na televisão às cenas do helicóptero da polícia caindo em chamas. Ao invés de apenas comentar o fato ocorrido e a realidade da insegurança pública no Rio de Janeiro indaguei à mesa: “qual a solução para isso?”

As autoridades atuais insistem em culpar governos anteriores e louvar as conquistas de sua gestão. Eu só vejo a mesma coisa que via desde a década de 80, quando era apenas um garoto. A diferença é que a vida nos morros fica sempre um pouco pior. Vejo que o vizinho de meu primo que me chamava de Paulistinha morreu novo, fuzilado por traficantes. Aliás, ele tornou-se um deles. Vejo falta de oportunidades, vejo decisões erradas em todos os lados, vejo vítimas se transformando em algozes e vice-versa. Vejo que se buscar no Google pelo nome do morro morada de meus avós só encontrarei notícias ruins. A polícia teme subir, a população local teme descer e os traficantes descem e sobem livremente. Nenhuma mudança a curto nem a longo prazo.

É difícil, muito difícil, para a população entender o que se passa na vida das pessoas que vivem no meio desta guerra civil. Um conflito entre suas raízes e as possibilidades externas, a falta de oportunidades, o descaso, o medo de sair de casa. As decisões erradas. As perdas e as consequências. Fugir ou ficar? São tantas cartas descartadas. Infelizmente não tenho respostas. Pedro Paulo Soares Pereira, o Mano Brown, apresentou um lado da história em “A fórmula mágica da paz“. Fez-me refletir mas, assim como ele, ainda não encontrei esta fórmula mágica.

As verdes palmeiras deram lugar a gris barracos. O som do sabiá deu lugar à sequidão de tiros cujo destino é a dor. A canção do exílio é entoada no imperfeito por pessoas exiladas dentro de seu próprio lar.

Só sei que faz quinze anos não posso visitar minha avó.

Como saber se você é um crente-religioso

Cuidado pra não ficar assimHoje estava pensando nas características inerentes à atitude cristã-evangélica-religiosa atual. Entretanto, refiro-me às atitudes comuns, de gente sincera que, sem perceber, está agindo por costume e tradição, e não aos mercadores, safados e gananciosos da fé que fazem do santuário uma feira livre. Estes do segundo grupo já são quantativamente e qualitativamente “dissecados” em outros blogs como o Blog do Roberto SoaresCaminhando na Graça, de graça!, Genizah, Púlpito Cristão e outros.

Aí penso um pouco aqui, mais um pouquinho acolá e sem demora já tenho uma lista de coisas banais que, sem perceber, são parte do cotidiano de muita gente. Eu mesmo já tive de sair na mão com muitos destes itens. E, também, talvez tenha de embater alguns outros no caminho da vida.

Obviamente esta enumeração apresenta somente a minha opinião sobre este perfil. Objetivo rotular alguma pessoa específica? Pas du tout! Apenas segue como uma reflexão e admoestação sob meus olhar quanto à atitude cristã. Gosto sempre de me lembrar que o religioso é aquele ser repugnante, convencido e presunçoso que sempre pensa ter a verdade e seu lado, que passa e finge que não vê o ferido e é aquele que, se puder, dá uma aula de religião pra Jesus. Então, se eu me dedicar o máximo que puder para não me assemelhar em nada e este tipo, melhor.

Vamos então às quinze características do crente-religioso.

  1. Você fica irritado quando alguém, na igreja, termina a oração sem falar “Em nome de Jesus” e acha que, devido a isso, as palavras não “passaram do teto”.
  2. Você não poupa forças para discutir e provar que a forma de batismo correta é a X e não a Y.
  3. Ser frequentador de uma igreja faz de você, automaticamente, luz do mundo.
  4. Você dá mais valor ao “está escrito” do que ao “está dito” e “está consumado”.
  5. Você chama de irmão qualquer pessoa que passar na sua frente por mais que nunca o tenha visto e nunca mais o verá. Ah, e se daqui a alguns poucos minutos você se esbarrar com ele novamente, vai chamá-lo novamente de irmão e não terá se lembrado que era o mesmo com quem falou ali atrás.
  6. Você fica feliz da vida, sente um prazer enorme e vem um fôlego inacabável quando alguém fala mal da sua religião. Afinal, se estou sendo perseguido é porque estou no caminho certo…
  7. …com este fôlego citado acima você tem forças para defender, com unhas e dentes, todas as doutrinas da sua igreja.
  8. Deus veste a camisa da sua igreja.
  9. Você fica burro. Explico. Você não sabe o porquê de muitas coisas que crê e pratica. É assim porque é assim. O pastor falou, o “profeta” disse, li num livro, meu pai me disse etc. Ai de quem começar a fazer pergunta.
  10. Se você for dos mais espertos, que não se encaixa no item anterior, adora um papo-cabeça para defender sua bandeira: “Vou destruir as ideias desse cara”.
  11. Você considera a Bíblia como um manual infalível em que tudo deve se encaixar ipsis literis na sua vida, ou seja, você não sabe como, mas dá um jeito (ou pensa que dá) de conciliar “olho por olho” com a “outra face”, lei e graça e, pra atingir a redenção, enlouquece na tentativa de andar na linha para não perder a salvação. Você vira um exímil malabarista da vida.
  12. Se alguém falar pra você que a Bíblia não é a Palavra de Deus e que sim Jesus Cristo é a Palavra de Deus… é herege.
  13. Você tem vergonha de falar de Jesus para as pessoas. Mas, se calhar de cair no seu colo a situação de alguém que tem sede dEle, você fala pra ela visitar a sua igreja, dá um panfletinho e, se não esquecer, manda um “vá com Je..Deus” quando se despedir. Afinal, “Deus” é mais genérico que Jesus e mais fácil de falar.
  14. Quando alguém pede oração por “algum irmão que está passando por um problema” você tenta resistir mas é mais forte que você a vontade de saber todos os detalhes dos problemas do “irmão”.
  15. Frequentemente você se esquece de orar e se predispor a ajudar alguém que tenha feito alguma m#rda no caminhar da vida mas raramente se esquece de julgar o autor do bolo fecal.

Se você não tiver nenhuma das características apresentadas acima, que bom! Você passou no teste da não-religiosidade. Se tiver, não se preocupe tanto. Você não é o único. E também não está condenado por causa disso (risos). Muita gente boa passa e passou por isso.

Desculpe-me pelo conteúdo do último item mas é um dos que mais me irrita. Afinal, como diria o filósofo, quem não caga?

Fazer o bem por amor. Estou no céu.

Recomendo a música Amor incondicional, do Jorge Camargo, durante a leitura deste post.

FilhotinhosWell, well… Esses últimos sete dias foram um turbilhão físico e mental para mim e minha esposa. Passamos por um corredor polonês de sentimentos e sensações. Dó, pena, amor, raiva, muita raiva, cansaço e, agora começa a vir a saudade. Confesso que os principais destes, que estavam sempre brigando pela primeira colocação, eram raiva e amor. Mas, para resumir, enquanto começo a escrever este post, só penso em seu título. Realmente estive no céu durante esses dias. E foi bom pra cachorro. Para começar, digo: amor incondicional é coisa pra macho.

Domingo, dia dos pais, acordo e me arrumo para buscar o velho para tomarmos um café da manhã em Monte Sião. Saio de casa e, na primeira esquina vejo cinco filhotinhos de vira-lata sob uma caçamba de lixo desesperados com a situação. Os coitados sentem-se protegidos pela caçamba ao mesmo tempo que têm pavor ao ouvi-la tremer com a passagem dos carros e caminhões que descem a rua rapidamente.

Meu Deus! Como alguém tem coragem de abandonar bichinhos dessa forma?! Como já no Pavablog: faltam-me palavras, sobram-me palavrões…  Corro para buscar o velho enquanto ligo para a esposa e peço para ela dar uma olhada neles. Quando volto encontro a Letícia por perto quase chorando com a cena. Cinco minutos depois eles estavam dentro de minha casa. E o meu velho, aos 70 anos e celebrando mais um Dia dos pais, ganhou de presente um jato de medo de um dos filhotinhos em seu blazer. Não entendeu? Sim, um dos bichinhos fez cocô de medo na roupa de meu pai… Pai é pai, avô é avô.

Voltando ao papo de amor incondicional, naquele momento já me senti assim. Bati o olho neles e já me senti apegado, atrelado e arraigado a todos. Meu coração já se sentia obrigado a fazer tudo que eu pudesse por eles. Um misto da alegria do pai do pródigo com a sede de justiça de Pedro ao cortar a orelha de Malco se apoderou de mim. Mas a raiva não teria muito espaço neste momento. Era hora de atitude.

Com a volúpia com que comiam a ração do Charlie e bebiam água, parecia que fazia muitos dias que não comiam. Meu Deus! Primeiros passos, preparar o quartinho para eles ficarem, ir à Cobasi comprar vermífugo, anti-pulgas e anti-carrapatos… Drontal, Vermivet, Cálcio, limpar a casa, saco extra de ração, limpar o pátio, limpar o pátio e limpar o pátio. Como esses bichinhos cagam! rsrsrs

OlíviaResumindo a história, um deles, um protótipo de cachorro, uma fêmea com poucos centímetros que só sabia abraçar a Letícia resolveu nos adotar como pais. A nova filha adotada - Olívia - tinha tanta sede quando chegou que foi batizada por uma aspersão quase imersiva.

O novo desafio era achar um lar para os outros. Família, contatos de amigos, emails em massa, panfletos distribuídos na região, álbum no Flickr, Facebook e muitos tweets e re-tweets. “Onlinemente” não houve retornos mas duas pessoas no trabalho da Letícia ficaram sensibilizadas com a história e cada uma levou um para casa. Que alegria!

O estafante trabalho que nos foi exigido começara a dar seus frutos. Era a sensação do comprido dever cumprido!

Agora, duas semanas se passaram e continuamos a cuidar dos dois filhotes que ainda estão conosco. Será ainda mais difícil o adeus.

Para mim, uma experiência extremamente cansativa porém instantaneamente gratificante. É quando chego ao “fazer o bem por amor”. Será que estou sendo redundante? É possível fazê-lo sem amar? Só sei que valeu a pena e estou saindo muito renovado desta experiência. Vi que existe dentro de cada ser humano muita força guardada para fazer o bem por graça, com graça, simplesmente de graça.

“De graça recebestes, de graça dai”

Também senti que ainda tenho muitos defeitos. Está difícil pensar mansamente a respeito das pessoas que abandonaram os filhotes. Essa de não impor condições para o amor é a new level. Um dia chego lá. Sério.

Amar incondicionalmente é mesmo coisa pra macho. E Deus é o macho-mor!

Minha abordagem espiritual sobre a morte de Michael Jackson

michael-jackson-thriller-bdb01Por onde começar esta reflexão? Vejo-a mais como uma forma de desabafar após ler muitos textos pela Internet escritos por irmãos em Cristo. Impressionantemente, a morte de Michael Jackson causou um impacto enorme na humanidade e, pelo que li dentre estes textos, o sentimento mais comum foi o de profunda decepção, superando o da própria tristeza. Eu explico o porquê de meu desabafo.

Em 1987 ganhei de meu pai o disco Thriller. Ele já era sucesso absoluto desde o ano de meu nascimento (1982) mas, somente aos cinco anos que conheci o som de MJ. Até hoje, nas rodas em família, sou lembrado de como pulava e dançava imitando o “rei do pop” e insistindo para ouvir mais um pouco do “Maca Jeca”. Os anos se passaram e sempre que ele lançava um novo álbum eu escutava para ver se gostava e, com isso, admirava um pouco mais a qualidade de suas músicas e sua capacidade de entreter e surpreender o mundo com sua voz, suas composições, sua dança e sua… mutação.

Feito o background, voltamos a 2009, nestes primeiros dias após sua morte. No excelente blog de Não abro mão da graça, de Márcia Gizella, li o post Ele precisava de Deus, mas nunca entendeu isso. Apesar de considerar o título muito pertinente e perceber sua sinceridade, uma frase me incomodou: “Lamento por ele não ter morrido em Cristo”. No Inforgospel leio Michael Jackson, não há segunda chance. Novamente, senti a tristeza do escritor mas me incomodou a afirmação – quase que dogmática – de que MJ disperdiçara sua única (!) chance. Respeito demais os sentimentos destas pessoas pois sei que elas choraram sua morte e lamentaram o fato de ele não ter se tornado um “mensageiro oficial” do Evangelho na Terra, mas senti o desejo de escrever que penso de forma completamente diferente das que tenho visto na Internet.

Em minha reflexão sobre o tema vi como o pensamento religioso está arraigado nas mentes das pessoas. Como essas pessoas sabem que MJ não morreu em Cristo? Como alguém pode saber que ele ‘não agarrou’ a salvação ou que ele não tenha aproveitado sua chance? Então, para estas perguntas vem uma enchurrada de versículos e cartilhas do tipo “Como saber se fulano foi para o céu”, “índios vão para o céu?”, “meu avô foi salvo?”… Pois é, crente adora essas perguntas. Sutilmente as obras ganham força e sobrepujam a graça. E olha que, mesmo se eu imaginasse um mundo em que a balança da graça fosse esquecida e só as obras fossem medidas, creio que Michael Jackson estaria muito bem também… Considerando suas muitas ações filantrópicas, seu impacto positivo em milhões de mentes e as letras de muitas de suas músicas que clamavam pelo amor ao planeta e aos humanos, TEQUEL não seria uma palavra dita a ele.

Com a invasão de textos com essa abordagem eu me irritei um pouco e enviei um comentário anônimo para o blog da Márcia. Deveria ter me identificado mas não quis criar atritos e/ou discussões em vão. Enviei somente a pergunta do primeiro comentário: “Como você sabe que ele não morreu em Cristo?”. Ela me enviou duas respostas. Na primeira vi que foi apenas um erro de interpretação meu e que, na verdade, sua lamentação tinha sido pelo fato de não ter visto um MJ vivendo como um testemunho de uma real conversão, algo com que concordo plenamente. Seu segundo comentário veio com uma resposta bíblica em que novamente enxerguei o cunho religioso na leitura da Palavra. Enviei uma nova mensagem para ela mas esta não foi publicada (pode ter ocorrido um problema no envio) e, como não copiei o texto que enviei, perdi.

De qualquer forma, comento aqui neste espaço pessoal sobre o que penso. Primeiramente, o texto enviado (Romanos 10) é excelente e fortalece ainda mais minhas convicções. Aliás, o que mais li nos blogs e sites foi uma desobediência aos versículos 6 e 7 – “Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) ou: quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.)”. Não consigo contar nos dedos o número de pessoas que o colocaram no abismo a partir do momento em que o TMZ anunciou sua morte. Não sou assessor de Deus para informar ao mundo se o ‘John Smith’ foi ou não para o ceú.

Neste décimo capítulo de Romanos existem dez interrogações. Por que as pessoas insistem em saber as respostas quanto coloca-se o nome de Michael Jackson como alvo destas indagações? Como alguém pode saber que ele não creu? Como alguém pode saber que ele não tenha morrido em Cristo? Por que fazer estas perguntas? Você acha que a salvação de uma pessoa está intrinsecamente ligada às suas ações durante a vida terrena, ao último ato realizado antes de morrer ou simplesmente à Graça de Deus (isso mesmo, Graça, de graça, gratuita)? Podemos definir seu destino pelo simples fato de supormos que ele não confessou com a boca? Um mudo na situação dele estaria ferrado então…

Isso é assunto ‘para mais de metro’. E, a partir daí, pode se chegar às muitas já conhecidas vãs discussões como o tipo de batismo correto, santificação de dias e festas e luas e sábados e ad infinitum. O Deus que acredito vai além do que qualquer mente possa pensar. É um Deus de amor, um Deus que convida e abre os braços. Um Deus que condena a falsidade religiosa (Lucas 13:23-28) e abre os braços para pecadores (Mateus 8:11, Lucas 13:29). Um Deus misericordioso que, mesmo tendo escolhido antes do nascimento, no ventre da mãe, pode fazer ouvir Sua voz no início de uma vida, na adolescência ou aos 50 anos, à beira da morte, deitado no chão de uma mansão cujo aluguel custa US$100 mil por mês, enquanto recebe massagens cardíacas. Um Deus que aceita mesmo sabendo que nós o rejeitaríamos sempre.

Hoje tive o privilégio de sentir a gostosa sensação de ler um texto com o qual entrei em perfeita sintonia. Ele foi escrito pelo querido Mario Persona, em seu blog O que respondi. É tão simples de entender e tão gracioso viver com esta simplicidade! Quando será que as pessoas entenderão o sentido real da palavra Graça?

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9)

Eu poderia escrever um extenso texto sobre meu pensamento mas creio que o texto do Mario está completo. Completíssimo.

Decidi que não quero fazer essas perguntas. Existem horas (e não são poucas) em que dizer “não sei” faz tão bem! Então, ao invés de decretar destinos ou até mesmo perguntar, prefiro ter a esperança de que um dia eu tenha o privilégio de encontrar MJ na eternidade. E, quem sabe, pedir pra ele me ensinar o moonwalk (rsrsrs).

Batalha espiritual, de Caio Fábio

Batalha Espiritual, Caio FábioÉ impressionante como um único assunto – muito importante, por sinal – pode ter abordagens místicas, trágicas e até cômicas às vezes… e outras coerentes e sérias. Este livro certamente entra no segundo grupo. Um livro escrito em 1994, quando o assunto batalha espiritual já era demasiadamente utilizado como chamariz para grandes eventos pseudoevangelísticos, nos quais havia a “determinação”, a “amarração” e outros ões criados para trazer o tal do fogo para a realidade da “igreja cristã brasileira”…

Lembro-me que nesta época comecei a ler um pouco sobre o assunto. Ainda um adolescente, ficava assustado com o que eu lia. Era impressionante o impacto causado nas pessoas pelos conteúdos vistos em cultos, conferências e livros. Efésios 6 torna-se o moto desse pessoal e, mais do que uma admoestação paulina concernente ao dia a dia da vida cristã, o texto bíblico torna-se um manual de guerra, uma convocação à Jihad evangélica.

O tempo passa e surgem mais e mais autores falando sobre o assunto e a cada livro uma nova informação, um novo desafio espiritual, um novo manual pré-fabricado… e tudo vinha para complicar ainda mais. Efésios 6:2 me dava medo: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Mas era o medo por não saber se eu estava preparado para essa guerra. Guerra, por sinal, que eu nem entendia o que significava pois, pelas histórias que lia em livros, tudo estava muito além das minhas condições (e de minha realidade), de modo que estava quase me deixando levar por esse temor do desconhecido. Mas, como foi a mensagem transmitida  pelo profeta Oséias, “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento”.

Que bom que o Espírito Santo não se cansa de trabalhar! E sempre mostra sua simplicidade por meio de pouquíssimas – e decisivas  - palavras, como “está consumado”. Ou então o salmo preferido de minha avó paterna. O noventa e um. Não a conheci mas o retrato que tinha dela era o de uma mulher de fé, que tinha a certeza de sua fé e da proteção constante que ela recebia. Era esse tipo de relacionamento com Deus que me trazia alegria e prazer. Medo é algo totalmente diferente de temor. E, com toda aquela história de principados e potestadas, meu temor estava ofuscado pelo medo. Creio que foi o trabalho do Espírito Santo que fez com que eu me afastasse dessa faceta de interpretação bíblica que dá muita relevância ao que deve ser o background. Parece mania de evangélico. Ficar dando muita importância para a força e astúcia do maligno.

Caramba. Não é mais fácil enfatizar “Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo”. (I João 4:4) ou “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas ‘resisti’ ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7b)?

Infelizmente não tive acesso a este livro do Caio Fábio na época mas este ano, quando o li, fiquei muito contente em ver uma visão graciosa sobre o tema. Aprendi a ler e interpretar corretamente o assunto. Sim, devemos conhecer nosso inimigo e saber do que ele é capaz mas o viver deve basear-se no “sei em quem tenho crido e estou bem certo que é poderoso”.

Separei abaixo alguns trechos interessantes do livro mas, obviamente, recomendo sua leitura por completo. Já são quase quinze anos desde sua publicação e, infelizmente, vemos muitas atitudes aqui descritas.

Acusação provém do diabo
“Com essa atitude de Satanás [diálogo com Deus questionando a fidelidade de Jó], aprendemos algo terrível: toda obra de acusação provém do diabo. E não somente isto: toda a busca meticulosa, exagerada, obcecada e detalhista da “justiça” é também diabólica”.

A batalha espiritual já se deu
“Na batalha espiritual, não temos que vencer os principados e potestades, porque eles já estão vencidos; porém, temos apenas que reclamar a vitória em Jesus. Essa é a primeira coisa que precisamos saber. Vejo muita gente querendo lutar e vencer uma batalha que já está vencida. A rigor, a batalha espiritual já se deu. Hoje, nós estamos apenas afirmando a vitória em Jesus“.

Espiritualidade utilitária
“Preocupa-me muito, também, todo tipo de manifestação de espiritualidade utilitária. Infelizmente, nos dias de hoje, cada vez mais um número maior de pessoas olha para o mundo espiritual numa perspectiva utilitária, a qual se baseia em “palavras de ordem” do tipo manda, decreta. Eu, pessoalmente, não tenho nada contra a fé genuína; mas é que, em muitos casos, manifestações outras podem estar embutidas em tais práticas. [...] É perigosa e diabólica uma vez que ela concebe a Deus, como Deus, apenas como fonte de bênçãos. Se Deus não abençoar – sobretudo material e financeiramente – Deus não é Deus, segundo essa espiritualidade”.

Ele fugirá de vós
“O que se pode fazer para enfrentar as potestades sócio-político-cultural-econômicas no nível individual? A primeira é a submissão à Palavra. Volte-se para a Palavra, como Jesus o fez: “está escrito”. [...] A segunda é praticar o bom senso, não se “estupidificando”, não pulando do cenáculo do templo. Jesus disse: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. A terceira é resistir ao diabo. Jesus disse: “Retira-te, Satanás”

A perda do propósito original
“Há um conceito absolutamente fundamental quando uma instituição, quando uma entidade, seja ela uma igreja, seja ela uma entidade de qualquer outra natureza, “se demonizam” e se pervertem em seu caminho, rendendo-se às influências malignas dos principados e potestades. O conceito é simples e é basicamente este: sempre que qualquer coisa ou qualquer instituição torna-se um fim em si mesma, fugindo assim a seu propósito original, ela ‘se demoniza’.”

O punir ao invés de perdoar
“Quando a religião tem mais prazer em punir do que em perdoar é porque ela já “se demonizou”. Quando is crentes começam a sentir prazer nas sessões extraordinárias, para as quais toda a igreja é convocada para punir e disciplinar irmãos em paco, cuidado! [...] Eu, particularmente, conheço crentes que não perdem a uma sessão de disciplina de sua igreja. Eles faltam à celebração da Ceia, às reuniões de oração, ao culto evangelístico ao ar livre, mas, em dia de sessão disciplinar, lá estão eles, nos primeiros bancos, eufóricos. Cuidado! Há algo demoníaco operando nesse tipo de comportamento.”

Se não tem mensagem é melhor que acabe
“Meu irmão, quem tem mensagem não precisa ter medo de nova onda alguma. Se você tem mensagem, a sua igreja nunca vai acabar. E se acabar, é porque ela não tem mensagem. E se não tem mensagem, é bom que ela acabe mesmo”.

Deus não tem igreja
“Ao olharmos para uma instituição religiosa, seja ela uma igreja, seja ela uma missão: quem é que está sendo glorificado através dela? Quem é que recebe glória? É o líder da instituição? É a instituição em si? Preocupa-me muito quando denominações evangélicas históricas fazem cultos comemorativamente exclusivos, anunciando a sua “presbiterianicidade”, a sua “batisticidade”, a sua “luteraneidade”, e assim por diante. Devemos ter cuidado. Deus não divide Sua honra com igreja (sela ela qual for), nem com o líder dela (seja ele quem for). A glória é única e exclusivamente de Deus.

Unidade da Igreja
“Não é a denominação que nos une. Nós – Igreja – só conseguimos viver em unidade se, obcecadamente, colocarmos os nossos olhos na cruz, no sangue do Cordeiro. É olhar para o outro, absolutamente diferente de nós – às vezes estranho, ou até mesmo bizarro – reconhecendo que ele é lavado no sangue do Cordeiro como nós.”

Concluindo, pelos trechos que separei vê-se que batalha espiritual é algo totalmente diferente do que se vê por aí. Se nos conscientizarmos que ela é uma batalha já vencida e que o mais importante é a observância do grande mandamento, todo o restante é consequência natural.

Gosto de ilustrar esta situação como uma escada e uma feira. Amando a Deus vive-se pelo espírito. Aí começamos a subir a escada da vida cristã. Com o leite nos primeiros degraus e o alimento sólido à medida que subimos. E, na subida desta escada da vida descobre-se a cada  degrau uma fruta com um açúcar de sabor inigualável. Há alguns meses passei a acordar cedo no sábado para ir à feira. Sempre memorizo as frutas que vou comprar para fazer os meus sucos. Laranja pera, melão, pera, melancia… Agora, na feira da vida a lista sempre é a de Gálatas 5:22,23.

Batalha Espiritual: Discernindo os Agentes Espirituais no dia-a-dia
Caio Fábio
Editora Vinde
1994
177 páginas
eBook gratuito

Canções à meia noite, de Stênio Marcius

Meu desejo ao escrever sobre este poeta e seu mais recente álbum é que o impacto causado pelo contato com a combinação de sua letra e melodia seja o mesmo que me arrebatou quando mastiguei as palavras de simplicidade provenientes de suas músicas. Seu nome é Stênio Marcius Botelho Nogueira, ou apenas Stênio Marcius, um poeta cristão, daqueles que exalam o amor pelo próximo (…é a minha oração: é assim que eu queria ser).

Novamente esta história envolve uma visita à Estação São Paulo do Caminho da Graça. Chegamos cedo e, ao adentrar o local ele já abriu um enorme sorriso nos desejando boas vindas. Sorrimos de volta, surpresos pela simpatia apresentada (ainda estamos nos acostumando ao Caminho da Graça rsrsrs). Abrindo um parêntese na história, é impressionante eu me ver utilizando a expressão “surpresos pela simpatia apresentada”, uma vez que, entre irmãos de caminho, isso deveria ser regra e não exceção. Mas com a graça de Deus veremos isso muito mais vezes. Enfim, voltando ao assunto, no momento, pensei: “conheço esse cara de algum lugar”. Começa a reunião e, naquele domingo, o Carlos Bregantim não estava presente pois se encontrava na reunião dos mentores do Caminho. Quem falou foi Paulo, seu irmão, um típico gente-finíssima.

Em dado momento Paulo convida Silvestre Kulhmann e Stênio para compartilharem conosco um momento musical. Bingo! Quando ele mencionou “Stênio” lembrei-me que já havia visto aquele rosto e esse nome em alguma busca no Google ou YouTube por interpretações de João Alexandre e Leonardo Gonçalves de Tapeceiro, Vou pescar, Poemas e Canções etc.

Assim como tento estabilizar minha linha de pensamento, meus julgamentos e minha própria vida, minhas preferências musicais estão embasadas sempre no que me traz alento, paz, novidade, uma bela mensagem e um baita prazer de ouvir, deliciando-me de palavra em palavra, nota em nota. Geralmente atinjo estes itens citados ouvindo letras bem escritas ao som de uma bela voz, um bom piano ou violão, algo bem bossa nova. Mas sempre me sinto muito bem e emocionado ao ouvir palavras como “Poemas e canções a Deus sejam escritos por todos os peritos a quem concedeu os dons”, “Tapeceiro não se engana, sabe o fim desde o começo”, “Vou pescar, quem sabe Ele apareça novamente”. Pois bem, coincidentemente músicas que me tocavam de uma forma especial eram composições de Stênio Marcius.

Stênio MarciusE, naquele domingo, Stênio e Silvestre tocaram e cantaram Graça. Tocaram a simplicidade do Evangelho com a maestria que só poderia ter sido criada como dádiva divina. Ao fim do encontro, com lágrimas no rosto, fiz questão de dar um abraço no Stênio e agradecer por mais aquela oportunidade que ele havia cedido a Deus de ser um instrumento em minha vida. Comprei os três álbuns disponíveis lá (Estima, O tapeceiro e Canções à meia noite) e desde então os devoro durante as horas de trabalho, em especial Canções à meia noite, que possui doze faixas igualmente significativas e ricas em simplicidade. Será um pouco difícil não tornar esse post um pouco longo com meus comentários sobre todas as faixas mas, como eu disse em meu primeiro post que o blog seria também para eu expressar meus pensamentos, vou até o fim.

Até aqui foi a minha experiência em conhecer o trabalho de um irmão em Cristo que sabe colocar-se em seu lugar, que é sob a asas da graça de Deus (aliás, onde eu e todos deveríamos estar). Onde não há ‘eu’, mas há o “EU sou’, onde somos irmãos, igualmente importantes para o Pai, onde não há palco, onde não há luzes, mas a Luz.

Agora, daqui para baixo, faço questão de falar sobre a forma como cada letra me tocou. É refrigério reviver as sensações que tive enquanto escrevo. Como o Caio Fabio costuma dizer, é mensagem que chega até o tutano da alma. Se alguém encontrar esse post no Google por alguma palavra aqui digitada e sentir-se da mesma forma tocado, para mim mais que valeu a pena. Isso já é graça.

1. Canções à meia noite
Uma canção em que Stênio faz o que escrevi no penúltimo parágrafo. Coloca-se em seu lugar e, mais que isso, enxerga Deus onde Ele sempre está, ou seja, em todo o lugar e muito próximo. São apresentadas as nossas limitações, principalmente a nossa falta de fé, que nos impede de manter um relacionamento mais íntimo com Deus. Mas, mesmo com essas falhas, com Sua infinita graça, Ele inspira canções de louvor no meio da noite.

2. Alguém como eu
1 Timóteo 2:5 apresenta o único mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem. Nunca havia parado para refletir no “homem” do versículo. Esse homem mostra que, sim, Jesus viveu e sentiu tudo que o homem vive e sente. Ele era Deus mas era alguém como eu. Alguém que tinha fome, tinha sede e tinha sono. E é com esse sono que começa esta linda canção, com um sono pesado, um sono com sonhos. Após apresentado este lado humano de Jesus (que muitos esquecem), Stênio mostra um Jesus que conhecia seu dever e vivia na vontade do Pai. Desta forma, ele vai “verter a vida do corpo Seu pra levar a culpa de alguém como eu”.

3. Acordo
Acordo substantivo e não a conjugação da primeira pessoa do verbo acordar. O acordo em questão é feito com a sua própria alma. Eu ri ao ouvir esta canção. O poeta é simpático até com sua própria alma, convidando-a a “puxar uma cadeira” para que eles possam prosear. Tudo começa com um diálogo com a natureza. Aliás, sempre gostei muito das passagens bíblicas, principalmente as palavras de Jesus em que a natureza é mencionada. Mateus 6:26 é um “Acorda!” de Jesus. No meio de uma autoreflexão, o poeta conversa com uma andorinha, perguntando-lhe se o que ela tem é suficiente para voar livre e viver feliz. Não satisfeito, ele faz a mesma pergunta a um peixinho dourado. Por fim, ele indaga a sua própria alma por quê razão ela tira sua calma e entristece seu olhar. Por fim, a poesia é finalizada de uma forma muito comum àqueles que questionam a Deus. Em meio de suas lágrimas e barganhas descobrem já conhecerem a resposta que tanto clamam por parte de Deus: “a Minha graça te basta”.

4. Velha amizade
Existem histórias e parábolas bíblicas que já cansamos de ler, reler, ouvir e decorar. Mas mergulhar? Será que você já se deu ao trabalho de tirar o sapato e mergulhar em uma história? É isso que Stênio faz. Resultado, uma simples história se transforma em conversão, em reconhecimento da graça de Deus, em amparo, em consolo, em lágrimas de gratidão. Agora, ao mergulhar neste fato específico – narrado em Marcos 2, versos 1 a 12, quando rapazes acham um atalho para chegar a Jesus através do telhado de uma casa lotada em Cafarnaum -, Stênio retrata o amor e esforço dos amigos em ajudar, a fé na certeza de que Aquele que lá estava poderia fazer algo, e, mesmo em meio a uma cena de amor e perdão, retrata também a perversidade da mente inquisidora daqueles que questionavam o perdão de Jesus. Mas a poesia é alegria e, em uma melodia deliciosa, finda-se com um lindo pega-pega entre cinco amigos, não mais quatro, uma vez que aquele paralítico encontrara a cura.

5. O Senhor do tempo
Quem nunca se encontrou numa linha do tempo em que no dia chamado hoje a situação não esteja como a ideal, a desejada, a idealizada? Coloco-me nesta lista e agradeço a Deus por Ele ter colocado esta oração em meu coração. O sorrir com um passado melhor que o presente é uma efêmera alegria que logo se transforma em dor. É por essa dor que o poeta passa. Primeiramente relembra sua puril infância, em seguida recorda sua fervorosa mocidade e, em ambas as lembranças, faz a comparação com o hoje e se incomoda com a distância entre o que viveu e o que vive. Após as memórias, ele questiona seus caminhos e decisões tomados, pergunta a Deus onde estará o amor que já teve um dia. Entretanto, juntamente com o sofrimento dos porquês, ele, pródigo, já tem a certeza de que deseja estar ao lado dAquele que sempre esteve a seu lado, nas decisões certas e erradas, dAquele que é o Senhor do tempo.

6. Tanto para dizer
O fundo do abismo nunca é fundo demais para o agir de Deus. Seja jogado por alguém ou até mesmo tendo se arremessado ao fundo, tudo que Ele quer é simplesmente tirar Seu filho de lá. Sem negociações, sem algo em troca. Isto é o modus operandi de Deus, não tem outro jeito. Ele diz: “Filho, vim te buscar no meio desta escuridão”. Quando você fizer menção a abrir sua boca querendo explicar-se, pedir desculpas, autopunir-se, Ele, amorosamente, coloca Sua mão sobre seus lábios com um olhar repleto de amor e diz: Nada. Silêncio. Sorriso. Salvação. O mundo e você mesmo podem corroborar para seu fim, mas Ele, tão somente Ele, não.

7. Calendário
Esta poesia é uma fotografia de um momento de perdão, de conversão. O momento em que há o reconhecimento da graça derramada. No decorrer das notas e frases, esta fotografia ganha vida e transforma-se em um filme primaveril, cheio de vida, de fruto e flor.

8. E se
Ah, chegou o momento da provação. Esta música foi uma das que mais me tocou. Um turbilhão de emoções, comparações e incômodos me invadiu. Um SE romântico foi muito bem definido na musicalidade de Djavan. Nesta canção Stênio fala do SE existencial. Tudo se resume neste SE. A hora da provação. Será que eu consigo me alegrar em Deus quando tudo vier contra mim? Será que eu consigo não barganhar com Ele? Será que consigo? O profeta conseguiu, mas Pedro não. Onde me encaixo? A mensagem desta poesia não traz esta resposta mas traz o que deve ser feito. Ore. Aprenda com Jó. Ore, Aprenda com Pedro. Ore. Leia o Evangelho. Ore: “Eu quero ser, não quero ter. Eu quero crer, não quero ver. Que minha alegria seja tão somente me lembrar de Ti, meu Deus. Viver só de Ti e morrer ansioso por Te ver”.

9. Lenços dourados
Você certamente conhece o Salmo 30:5, ou, ao menos a parte final dele: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Stênio apresenta em forma de poesia essa experiência em que a tristeza parece infinita, mas ela dura apenas uma noite, pois então o “leste, enfim, abrirá as cortinas da manhã que vem”, então o “sol secará com lenços dourados todo o pranto meu”.

10. Muralhas
O poeta relembra sua trajetória e como desenvolveu-se seu relacionamento com Deus. Desde sua meninice até os altos e baixos da vida. Esta música é uma constatação do silêncio de Deus apresentado na música “Tanto para dizer”. O perdoado relembra suas escolhas e choros e enxerga a presença de Deus a todo momento: “me seguiste por tantas esquinas”, “me guardaste nos becos sombrios”, “me levaste aos porões de minha alma”, “me trouxeste de volta pra casa”. Ele conclui que Deus sempre esteve presente desde antes da existência do tempo.

11. O sonho
Esta canção se autoexplica. Deite em uma rede de balanço e sonhe.

Sonhei que eu tinha morrido. Não lembro direito do quê.
Me vi frente a um alto e belo portão com uma placa escrito: Céu.

Bati com um certo receio, um anjo saiu pra atender
Me disse: “Pois não?” – eu falei; quero entrar pois aí é o meu lugar

O anjo me disse: “curioso, eu não acho o seu nome em nossos registros”
Eu disse: procure num livro antigo escrito antes que houvesse mundo
E ali achará com a letra do Rei meu nome com tinta vermelha

Alguém entregou para o anjo registros que eu reconheci
Compêndio de todas as leis que eu quebrei e os pecados que cometi

O anjo olhava os registros visivelmente assustado
E me perguntou: “Foi assim que viveu?” e eu então respondi que sim

“Então como é que você tem coragem de vir nessa Porta bater?”
Eu disse: olhe bem no final dessa lista, você reconhece esta letra?
E o anjo sorrindo me disse: “É verdade! O Rei escreveu: Perdoado!”

E ao som dessa bela palavra aquele portão se abriu
Então eu entrava cantando um hino, que pena que o sonho acabou
Ficaram comigo aquelas palavras: “Primeiro eu quero ver meu Salvador”

12. Para sempre
Uma poesia com conselhos de um verdadeiro amigo, que nos convida a valorizar a beleza da criação de Deus, um presente dEle para cada nós. Um presente de graça, da Graça. Tudo isso que hoje existe vai passar, mas a Palavra do Senhor é para sempre.

Minha recomendação é que todos conheçam o trabalho de Stênio e sejam fartamente alimentados com este presente de Deus. Para ouvir algumas das músicas de Canções à meia noite, visite o podcast #152 de Sons do Coração, programa que Nelson Bomílcar apresenta todas as terças-feiras na rádio Trans Mundial (disponível ao vivo via Internet).

Para adquirir os CDs de Stênio: 11 3763 2437 ou sdeoliveiranogueira at hotmail dot com

Mais um começo

Voilà! Após uma semana de Photoshop e codificação finalizei o layout deste blog. O objetivo de sua criação é algo obscuro para mim (pelo menos foi durante estes sete dias em que discutia comigo mesmo sobre quais formas e cores utilizar). De qualquer forma, dentre as opções que passaram por minha mente estão: disponibilizar um portfolio pessoal, escrever pensamentos, opiniões e divagações que veem à mente e, por fim, tornar meu eu mais acessível aos queridos (e aos que desejarem) e, muito provavelmente, utilizá-lo como escape para momentos alegres e tristes. Se conseguirei cumprir um, todos ou nenhum dos objetivos, não sei.

Sou um paulistano de 26 anos, casado há dois. Cristão, do tipo que se incomoda em ouvir as palavra evangélico, crente, religião, gospel ou denominação má utilizadas, como rótulos ou caminhos alternativos. Do tipo que vive em constante aprendizado, do tipo que falha, do tipo pródigo.  Do tipo que se revolta ao ver gente complicando um Evangelho simples e, mais que isso, colocando a infinidade de Deus dentro da pequeneza de sua subjetividade. Sou do tipo que pede a Deus mais amor e força para buscá-Lo e refletí-Lo.

Assim como o Evangelho que acredito, quero ser simples nas palavras e no conteúdo deste blog.