
Meu desejo ao escrever sobre este poeta e seu mais recente álbum é que o impacto causado pelo contato com a combinação de sua letra e melodia seja o mesmo que me arrebatou quando mastiguei as palavras de simplicidade provenientes de suas músicas. Seu nome é Stênio Marcius Botelho Nogueira, ou apenas Stênio Marcius, um poeta cristão, daqueles que exalam o amor pelo próximo (…é a minha oração: é assim que eu queria ser).
Novamente esta história envolve uma visita à Estação São Paulo do Caminho da Graça. Chegamos cedo e, ao adentrar o local ele já abriu um enorme sorriso nos desejando boas vindas. Sorrimos de volta, surpresos pela simpatia apresentada (ainda estamos nos acostumando ao Caminho da Graça rsrsrs). Abrindo um parêntese na história, é impressionante eu me ver utilizando a expressão “surpresos pela simpatia apresentada”, uma vez que, entre irmãos de caminho, isso deveria ser regra e não exceção. Mas com a graça de Deus veremos isso muito mais vezes. Enfim, voltando ao assunto, no momento, pensei: “conheço esse cara de algum lugar”. Começa a reunião e, naquele domingo, o Carlos Bregantim não estava presente pois se encontrava na reunião dos mentores do Caminho. Quem falou foi Paulo, seu irmão, um típico gente-finíssima.
Em dado momento Paulo convida Silvestre Kulhmann e Stênio para compartilharem conosco um momento musical. Bingo! Quando ele mencionou “Stênio” lembrei-me que já havia visto aquele rosto e esse nome em alguma busca no Google ou YouTube por interpretações de João Alexandre e Leonardo Gonçalves de Tapeceiro, Vou pescar, Poemas e Canções etc.
Assim como tento estabilizar minha linha de pensamento, meus julgamentos e minha própria vida, minhas preferências musicais estão embasadas sempre no que me traz alento, paz, novidade, uma bela mensagem e um baita prazer de ouvir, deliciando-me de palavra em palavra, nota em nota. Geralmente atinjo estes itens citados ouvindo letras bem escritas ao som de uma bela voz, um bom piano ou violão, algo bem bossa nova. Mas sempre me sinto muito bem e emocionado ao ouvir palavras como “Poemas e canções a Deus sejam escritos por todos os peritos a quem concedeu os dons”, “Tapeceiro não se engana, sabe o fim desde o começo”, “Vou pescar, quem sabe Ele apareça novamente”. Pois bem, coincidentemente músicas que me tocavam de uma forma especial eram composições de Stênio Marcius.
E, naquele domingo, Stênio e Silvestre tocaram e cantaram Graça. Tocaram a simplicidade do Evangelho com a maestria que só poderia ter sido criada como dádiva divina. Ao fim do encontro, com lágrimas no rosto, fiz questão de dar um abraço no Stênio e agradecer por mais aquela oportunidade que ele havia cedido a Deus de ser um instrumento em minha vida. Comprei os três álbuns disponíveis lá (Estima, O tapeceiro e Canções à meia noite) e desde então os devoro durante as horas de trabalho, em especial Canções à meia noite, que possui doze faixas igualmente significativas e ricas em simplicidade. Será um pouco difícil não tornar esse post um pouco longo com meus comentários sobre todas as faixas mas, como eu disse em meu primeiro post que o blog seria também para eu expressar meus pensamentos, vou até o fim.
Até aqui foi a minha experiência em conhecer o trabalho de um irmão em Cristo que sabe colocar-se em seu lugar, que é sob a asas da graça de Deus (aliás, onde eu e todos deveríamos estar). Onde não há ‘eu’, mas há o “EU sou’, onde somos irmãos, igualmente importantes para o Pai, onde não há palco, onde não há luzes, mas a Luz.
Agora, daqui para baixo, faço questão de falar sobre a forma como cada letra me tocou. É refrigério reviver as sensações que tive enquanto escrevo. Como o Caio Fabio costuma dizer, é mensagem que chega até o tutano da alma. Se alguém encontrar esse post no Google por alguma palavra aqui digitada e sentir-se da mesma forma tocado, para mim mais que valeu a pena. Isso já é graça.
1. Canções à meia noite
Uma canção em que Stênio faz o que escrevi no penúltimo parágrafo. Coloca-se em seu lugar e, mais que isso, enxerga Deus onde Ele sempre está, ou seja, em todo o lugar e muito próximo. São apresentadas as nossas limitações, principalmente a nossa falta de fé, que nos impede de manter um relacionamento mais íntimo com Deus. Mas, mesmo com essas falhas, com Sua infinita graça, Ele inspira canções de louvor no meio da noite.
2. Alguém como eu
1 Timóteo 2:5 apresenta o único mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem. Nunca havia parado para refletir no “homem” do versículo. Esse homem mostra que, sim, Jesus viveu e sentiu tudo que o homem vive e sente. Ele era Deus mas era alguém como eu. Alguém que tinha fome, tinha sede e tinha sono. E é com esse sono que começa esta linda canção, com um sono pesado, um sono com sonhos. Após apresentado este lado humano de Jesus (que muitos esquecem), Stênio mostra um Jesus que conhecia seu dever e vivia na vontade do Pai. Desta forma, ele vai “verter a vida do corpo Seu pra levar a culpa de alguém como eu”.
3. Acordo
Acordo substantivo e não a conjugação da primeira pessoa do verbo acordar. O acordo em questão é feito com a sua própria alma. Eu ri ao ouvir esta canção. O poeta é simpático até com sua própria alma, convidando-a a “puxar uma cadeira” para que eles possam prosear. Tudo começa com um diálogo com a natureza. Aliás, sempre gostei muito das passagens bíblicas, principalmente as palavras de Jesus em que a natureza é mencionada. Mateus 6:26 é um “Acorda!” de Jesus. No meio de uma autoreflexão, o poeta conversa com uma andorinha, perguntando-lhe se o que ela tem é suficiente para voar livre e viver feliz. Não satisfeito, ele faz a mesma pergunta a um peixinho dourado. Por fim, ele indaga a sua própria alma por quê razão ela tira sua calma e entristece seu olhar. Por fim, a poesia é finalizada de uma forma muito comum àqueles que questionam a Deus. Em meio de suas lágrimas e barganhas descobrem já conhecerem a resposta que tanto clamam por parte de Deus: “a Minha graça te basta”.
4. Velha amizade
Existem histórias e parábolas bíblicas que já cansamos de ler, reler, ouvir e decorar. Mas mergulhar? Será que você já se deu ao trabalho de tirar o sapato e mergulhar em uma história? É isso que Stênio faz. Resultado, uma simples história se transforma em conversão, em reconhecimento da graça de Deus, em amparo, em consolo, em lágrimas de gratidão. Agora, ao mergulhar neste fato específico – narrado em Marcos 2, versos 1 a 12, quando rapazes acham um atalho para chegar a Jesus através do telhado de uma casa lotada em Cafarnaum -, Stênio retrata o amor e esforço dos amigos em ajudar, a fé na certeza de que Aquele que lá estava poderia fazer algo, e, mesmo em meio a uma cena de amor e perdão, retrata também a perversidade da mente inquisidora daqueles que questionavam o perdão de Jesus. Mas a poesia é alegria e, em uma melodia deliciosa, finda-se com um lindo pega-pega entre cinco amigos, não mais quatro, uma vez que aquele paralítico encontrara a cura.
5. O Senhor do tempo
Quem nunca se encontrou numa linha do tempo em que no dia chamado hoje a situação não esteja como a ideal, a desejada, a idealizada? Coloco-me nesta lista e agradeço a Deus por Ele ter colocado esta oração em meu coração. O sorrir com um passado melhor que o presente é uma efêmera alegria que logo se transforma em dor. É por essa dor que o poeta passa. Primeiramente relembra sua puril infância, em seguida recorda sua fervorosa mocidade e, em ambas as lembranças, faz a comparação com o hoje e se incomoda com a distância entre o que viveu e o que vive. Após as memórias, ele questiona seus caminhos e decisões tomados, pergunta a Deus onde estará o amor que já teve um dia. Entretanto, juntamente com o sofrimento dos porquês, ele, pródigo, já tem a certeza de que deseja estar ao lado dAquele que sempre esteve a seu lado, nas decisões certas e erradas, dAquele que é o Senhor do tempo.
6. Tanto para dizer
O fundo do abismo nunca é fundo demais para o agir de Deus. Seja jogado por alguém ou até mesmo tendo se arremessado ao fundo, tudo que Ele quer é simplesmente tirar Seu filho de lá. Sem negociações, sem algo em troca. Isto é o modus operandi de Deus, não tem outro jeito. Ele diz: “Filho, vim te buscar no meio desta escuridão”. Quando você fizer menção a abrir sua boca querendo explicar-se, pedir desculpas, autopunir-se, Ele, amorosamente, coloca Sua mão sobre seus lábios com um olhar repleto de amor e diz: Nada. Silêncio. Sorriso. Salvação. O mundo e você mesmo podem corroborar para seu fim, mas Ele, tão somente Ele, não.
7. Calendário
Esta poesia é uma fotografia de um momento de perdão, de conversão. O momento em que há o reconhecimento da graça derramada. No decorrer das notas e frases, esta fotografia ganha vida e transforma-se em um filme primaveril, cheio de vida, de fruto e flor.
8. E se
Ah, chegou o momento da provação. Esta música foi uma das que mais me tocou. Um turbilhão de emoções, comparações e incômodos me invadiu. Um SE romântico foi muito bem definido na musicalidade de Djavan. Nesta canção Stênio fala do SE existencial. Tudo se resume neste SE. A hora da provação. Será que eu consigo me alegrar em Deus quando tudo vier contra mim? Será que eu consigo não barganhar com Ele? Será que consigo? O profeta conseguiu, mas Pedro não. Onde me encaixo? A mensagem desta poesia não traz esta resposta mas traz o que deve ser feito. Ore. Aprenda com Jó. Ore, Aprenda com Pedro. Ore. Leia o Evangelho. Ore: “Eu quero ser, não quero ter. Eu quero crer, não quero ver. Que minha alegria seja tão somente me lembrar de Ti, meu Deus. Viver só de Ti e morrer ansioso por Te ver”.
9. Lenços dourados
Você certamente conhece o Salmo 30:5, ou, ao menos a parte final dele: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Stênio apresenta em forma de poesia essa experiência em que a tristeza parece infinita, mas ela dura apenas uma noite, pois então o “leste, enfim, abrirá as cortinas da manhã que vem”, então o “sol secará com lenços dourados todo o pranto meu”.
10. Muralhas
O poeta relembra sua trajetória e como desenvolveu-se seu relacionamento com Deus. Desde sua meninice até os altos e baixos da vida. Esta música é uma constatação do silêncio de Deus apresentado na música “Tanto para dizer”. O perdoado relembra suas escolhas e choros e enxerga a presença de Deus a todo momento: “me seguiste por tantas esquinas”, “me guardaste nos becos sombrios”, “me levaste aos porões de minha alma”, “me trouxeste de volta pra casa”. Ele conclui que Deus sempre esteve presente desde antes da existência do tempo.
11. O sonho
Esta canção se autoexplica. Deite em uma rede de balanço e sonhe.
Sonhei que eu tinha morrido. Não lembro direito do quê.
Me vi frente a um alto e belo portão com uma placa escrito: Céu.
Bati com um certo receio, um anjo saiu pra atender
Me disse: “Pois não?” – eu falei; quero entrar pois aí é o meu lugar
O anjo me disse: “curioso, eu não acho o seu nome em nossos registros”
Eu disse: procure num livro antigo escrito antes que houvesse mundo
E ali achará com a letra do Rei meu nome com tinta vermelha
Alguém entregou para o anjo registros que eu reconheci
Compêndio de todas as leis que eu quebrei e os pecados que cometi
O anjo olhava os registros visivelmente assustado
E me perguntou: “Foi assim que viveu?” e eu então respondi que sim
“Então como é que você tem coragem de vir nessa Porta bater?”
Eu disse: olhe bem no final dessa lista, você reconhece esta letra?
E o anjo sorrindo me disse: “É verdade! O Rei escreveu: Perdoado!”
E ao som dessa bela palavra aquele portão se abriu
Então eu entrava cantando um hino, que pena que o sonho acabou
Ficaram comigo aquelas palavras: “Primeiro eu quero ver meu Salvador”
12. Para sempre
Uma poesia com conselhos de um verdadeiro amigo, que nos convida a valorizar a beleza da criação de Deus, um presente dEle para cada nós. Um presente de graça, da Graça. Tudo isso que hoje existe vai passar, mas a Palavra do Senhor é para sempre.
Minha recomendação é que todos conheçam o trabalho de Stênio e sejam fartamente alimentados com este presente de Deus. Para ouvir algumas das músicas de Canções à meia noite, visite o podcast #152 de Sons do Coração, programa que Nelson Bomílcar apresenta todas as terças-feiras na rádio Trans Mundial (disponível ao vivo via Internet).
Para adquirir os CDs de Stênio: 11 3763 2437 ou sdeoliveiranogueira at hotmail dot com