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Por que é importante falar e escrever bem o Português

Seja por simples patriotismo ou pela poesia de sua sonoridade, a Língua Portuguesa possui esta beleza ímpar, repleta de conjugações, concordâncias e pontuações que lhe dão uma liberdade inigualável. Todavia, tal liberdade lhe permite ser maltratada como em nenhum outro idioma. A cada vírgula, til ou hífen que temos a mais, a cada nasalidade própria do benjamin do latim, esta avalanche de torturas acontece exponencialmente. Nos ambientes de trabalho, no rádio, em revistas, na televisão e na Internet.

Apesar das exceções, um fio de salvação pode ser visto na literatura. Graças ao trabalho de bons escritores e revisores, nosso idioma ainda tem sido protegido na maioria dos livros escritos em português. Entretanto, como também sabemos que o brasileiro não lê, fica difícil competir com o português das redes sociais, de celebridades e jornalistas. Estes, em minha opinião, têm obrigação de fazer o papel dos livros quanto ao respeito devido ao idioma. Obviamente, a maioria não o faz como deveria.

Quem fala bem o português, fala bem qualquer idioma

Aquele que atenta para a boa utilização da língua, respeitando suas regras e boas práticas, indubitavelmente terá o mesmo cuidado quando aprender outro idioma. Ao mesmo passo, quem já demonstra desdém com seu próprio idioma, estará fadado ao fracasso no aprendizado de outras linguagens. Repito que não estou decretando que a pessoa será incapaz de aprender, mas será incapaz de aprender… bem. Apenas terá sua reputação comprometida quando for necessário utilizar o idioma em situações que demandam proficiência e fluência, principalmente nas relações profissionais e pessoais-formais.

Agora chega o momento em que há aqueles que defendem: “Basta que a comunicação seja efetiva”. Okay, se você for comprar um pão na padaria ou perguntar o horário para alguém na rua, sem problemas.

Entretanto, e se você precisar construir uma conversação com os pais de sua nova namorada? Você diria “estamos indo no cinema”, “estou namorando com ela faz cinco meses” ou saberia construir frases corretas? E se estiver em processo seletivo para aquela empresa francesa para a qual gostaria tanto de trabalhar? Você enviaria um “segue arquivos em anexo”, esquecer-se-ia completamente da vírgula, das contrações e das proparoxítonas? Saberia discernir e utilizar alegorias, metonímias, elipses e eufemismos?

Enfim, se deseja passar uma boa impressão, use corretamente o idioma. Escrito ou falado.

The Halo EffectQuem fala bem o português, pode usar o Efeito Halo mais facilmente em seu favor

O Efeito Halo é um fenômeno psicológico-social que faz com que pessoas transfiram percepções para outras esferas não necessariamente relacionadas. Por exemplo, uma pessoa com boa aparência e bem vestida passa a ideia de ser inteligente e confiável, mesmo que não exista razão para construir-se tal correlação. Em nosso exemplo idiomático, aquele que comunica-se bem certamente ampliará o Efeito Halo em seu observador. E, ao tratar-se de relações empresariais e sociais, o Efeito Halo, além de receber ênfase, pode até ser manipulado e utilizado como trunfo. #ficaadica

A mensagem deve ser dita conforme a capacidade de entendimento de seu receptor

De fato, para um bom conhecedor do idioma, esta frase é princípio, e não pretexto, conforme utilizada pelos “altivos do idioma”, aqueles que estão seguros de não mais precisar aprender ou relembrar as nuances da língua. Sim, o Português é um idioma difícil, cheio de peculiaridades (e mudanças – vide o “bendito” Acordo Ortográfico). São tantas figuras, funções, tipos de oração, conjugações, hífens e apóstrofes que, não é difícil, até para o mais resguardado escritor, deparar-se com dúvidas e ter de recorrer ao dicionário ou à boa e velha gramática.

Seu idioma é santo. Trate-o com santidade

Já sabemos quão sublime é admirar o bom tratamento a um idioma, afinal, ele é o canal de comunicação entre seres e universos. Quem há de não render-se ao c-d-e de Camões em “Que dias há que na alma me tem posto; Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei por quê.”? Ou à misteriosa poesia musical resultado da arte de nomes como Newton Mendonça, Chico Buarque, Caetano Veloso ou Djavan? Às mensagens simples e diretas de crônicas de Ruy Castro e Juca Kfouri? À densa leveza das palavras de Cecília Meireles e Clarice Lispector?

Eis que surge mais uma das belas facetas de nossa língua: a venerada amante. E, desta incontrolável vontade de conhecê-la melhor, de tratá-la bem e presenteá-la como o mais entusiasta apaixonado, surgem poemas, poesias e canções que retratam o cavalheirismo, respeito e santidade de quem com ela lida.

Falar sobre a relação de santidade com o idioma não estava previsto no início deste texto, cujo objetivo inicial era alertar o leitor quanto à utilização da língua portuguesa. Este último parágrafo transformou-se em uma enaltação à “última flor do Lácio”. É irresistível.

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