Arnold Schwarzenegger – A inacreditável história da minha vida

Biografias são minhas leituras prediletas. Autorizadas ou não, é muito interessante conhecer a história de pessoas que tornaram-se renomadas por suas conquistas. É claro que já li algumas de personalidades pelas quais sentia asco, mas, de qualquer forma, conhecimento nunca é demais. Há algum tempo, durante o processo iniciado após minha decisão pela busca de um estilo de vida mais saudável, procurei inspiração em esportistas que haviam percorrido o caminho que eu decidira trilhar.

Roger Federer, Bernardinho, Cassius Clay, Oscar Schmidt, Ayrton Senna, Gustavo Kuerten e Michael Jordan são apenas alguns exemplos de grandes nomes que são referência pelo que conquistaram, mas pouca gente conhece profundamente como eles chegaram ao Monte Olimpo. É aí que entra minha paixão por biografias. Ainda mais se forem autobiografias, quando a sensação é como se o leitor estivesse apreciando um bom vinho com a companhia do objeto de sua admiração, enquanto escuta suas histórias e, de graça, recebe uma enxurrada de aprendizados sobre muito mais do que esportes. Sobre a vida.

Uma personalidade intrigante que me chamou a atenção foi Arnold Schwarzenegger (a partir de agora o nome dele será apenas digitado com a opção Command+V rs).

arnold-schwarzenegger-olympiaA história é simples e mágica de ser contada. Parece algo irreal, impossível de acontecer. Acompanhe comigo: um adolescente austríaco, que vive no meio do nada, tem o sonho de tornar-se um fisiculturista. Ele dedica-se e consegue. Depois ele deseja ser o homem mais forte da Áustria. Consegue. Em seguida ele quer ser mais forte e atingir um patamar mais alto do que o seu ídolo no esporte. Ele vai lá e consegue: torna-se Mister Olímpia por seis anos consecutivos (1970 a 1976). Então vai para os EUA para buscar um novo sonho: tornar-se ator. Mesmo com um sotaque horrível e um nome impronunciável, o gigante vai lá e… você já sabe o resto da história.

Já é história suficiente, certo? Para ele, não. Ele não queria ser ator. Ele queria ser ator de primeiro escalão, daqueles que fecham contratos milionários. Conan, Exterminador do Futuro etc. Você também conhece a história. Com a carreira decolando, Arnold resolve provar que ainda pode ser Mister Olympia e, cinco anos depois, fatura pela sétima vez o troféu de homem mais forte do mundo (tem gente que diz que ele ganhou mais com o nome do que com o físico mas, enfim, apenas relato o fato). Depois disso, o valentão que só serve pra matar bandidos e monstros decide ser ator de comédia. Predestinado ao fracasso, certo? Errado. Com Danny DeVito ele bate recorde de bilheterias com Irmãos Gêmeos.

arnold-schwarzenegger-governatorSchwarzenegger, um republicano assumido, mas com muitas características de um democrata (o que irritava alguns copartidários), namorou e casou-se com Maria Shriver, uma Kennedy. E, mesmo em meio a este terreno politicamente instável, decide-se por adentrar este mundo de batalhas de negociação e gestão pública e, para resumir a história, torna-se governador da Califórnia, o estado mais populoso e com a maior indústria dos EUA.

Meu interesse inicial era sua dedicação à musculação, afinal, depois de eu emagrecer dezoito quilos, queria saber como ele poderia contribuir para meu ganho de massa magra, com exemplos de séries de exercícios e suplementação. Ao final da leitura, mais do que dicas de exercícios, o Governator me ensinou muito sobre persistência, determinação, investimentos, negócios e… guts.

Este livro retrata seus erros e acertos e, principalmente, a mentalidade de Schwarzenegger em suas decisões. Vale como inspiração, como objeto de curiosidade e também serve para dar boas risadas das histórias vividas por ele. Abaixo algumas aspas que separei durante a leitura.

Objetivo e atitude

“Kurt Marnul conseguiu vencer o Mister Áustria”, eu pensava, “e ele já me disse que eu também poderia se treinasse bastante, então é isso que eu vou fazer.” Pensar assim transformava as horas que eu passava levantando toneladas de aço e ferro em uma verdadeira alegria. Cada série extenuante, cada repetição a mais eram passos em direção ao meu objetivo de vencer o Mister Áustria e participar do concurso Mister Europa.

Pela primeira vez na vida, eu podia comer carne todos os dias – proteína de verdade. Ganhei músculos tão rápido que perdia o uniforme a cada três meses e tinha que passar para o tamanho superior.

No mundo do fisiculturismo, a notícia de minha vitória em Stuttgart continuava a se espalhar. Eu saíra na capa de várias revistas, pois era um bom personagem para as matérias: um garoto austríaco saído do nada, com 18 anos e bíceps de 48 centímetros.

Sede por vitória

Depois disso, nunca mais participei de nenhuma competição só por competir. Eu me inscrevia para ganhar. Mesmo que nem sempre vencesse, era esse o meu estado de espírito. Eu me tornei um verdadeiro animal. Se você conseguisse ler meus pensamentos antes de um concurso, ouviria mais ou menos o seguinte: “Eu mereço esse pódio, esse pódio é meu, e o mar vai ter que se abrir para mim. Saia da minha frente, porra, estou decidido. Pode ir descendo daí e me dar o troféu.”

Na última sequência, eu estava totalmente afiado. Fosse qual fosse a pose que Sergio fizesse para exibir sua força, eu fazia outra equivalente para exibir a minha. Mais importante, porém, era que, ali, quem estava disposto a dar tudo de si era eu. Eu estava com mais garra que Sergio. Queria o título mais do que ele.

Apesar das dúvidas, eu achava que poderia vencer. Teria que voltar a meu peso de competição, mas já fizera algo parecido antes, depois da cirurgia no joelho, em 1972. Na época, minha coxa esquerda atrofiou de 71 para 57 centímetros, mas consegui fazer com que aumentasse mais do que nunca a tempo do Mister Olympia daquele ano. Minha teoria era que as células musculares, assim como as de gordura, têm memória, ou seja, podem voltar rapidamente ao que eram antes. Mas é claro que também havia incertezas. Eu iria querer apresentar um desempenho ainda melhor do que o do Madison Square Garden, então será que deveria recuperar meus 113 quilos ou aparecer mais magro? Fosse qual fosse a resposta, achei que seria possível.

“Olhe aqui, o seu sotaque assusta as pessoas”, disse o cara da ICM. “Você tem um corpo grande demais para o cinema. Seu nome não caberia nem no cartaz. Tudo em você é muito estranho.” Ele não disse isso de um jeito cruel e se ofereceu para me ajudar de outras formas: “Por que não continua no negócio das academias? Podemos criar uma rede de franquias. Ou então podemos ajudá-lo a organizar seminários e palestras, ou a escrever um livro contando a sua história, algo do tipo.”

As pessoas viviam falando sobre como havia lugar apenas para poucos atores no topo da pirâmide do sucesso, mas eu sempre tivera certeza de que cabia mais um. Sentia que, como havia muito pouco espaço, as pessoas ficavam intimidadas e se sentiam mais à vontade permanecendo na parte de baixo. Na verdade, porém, quanto mais gente pensa assim, mais cheia fica a parte inferior! Não vá para onde estiver lotado. Vá para onde estiver vazio. Embora seja mais difícil de chegar, é lá que é o seu lugar, e é lá que haverá menos competição.

Auto-conhecimento

Decidi que ficar nos Estados Unidos tinha que significar que eu nunca mais seria um amador na vida. Naquele momento a brincadeira começaria para valer. Havia muito trabalho pela frente. E eu tinha que começar como um profissional. Não queria nunca mais sair de uma competição de fisiculturismo como saíra da de Miami.

Entreguei à minha mãe a placa que servia de troféu e sugeri que ela a levasse para casa. Ela ficou muito feliz. Foi um momento importante – sobretudo para meu pai, cujo comentário em relação à minha prática do fisiculturismo sempre fora: “Por que você não faz alguma coisa útil? Vá cortar lenha.”

O único jeito de me tornar protagonista era tratar a mim mesmo como tal e trabalhar duro para isso. Se eu não acreditasse em mim mesmo, como é que os outros iriam acreditar?

Viver

Minha definição de vida é estar sempre empolgado – é essa a diferença entre viver e existir.

Para mim, o trabalho não parecia nada puxado – era apenas normal. Você faz um filme ou escreve um livro, promove-o até não poder mais, viaja pelo mundo, porque o mundo é o seu mercado, e, enquanto isso, malha, cuida dos negócios e explora ainda mais oportunidades. Era tudo uma diversão, e foi por isso que nunca pensei: “Ai, meu Deus, olhe só quanto trabalho. Que pressão!”

Disciplina

Sempre dividia meu treino em duas sessões. Às segundas, quartas e sextas de manhã, eu me concentrava, por exemplo, no peito e nas costas. À noite, voltava e trabalhava coxas e panturrilhas, depois treinava poses e fazia outros exercícios. Às terças, quintas e sábados era a vez de ombros, braços e antebraços. Sem esquecer, é claro, panturrilhas e abdominais todos os dias, exceto aos domingos, quando descansava.

Para tirar o máximo de minhas sessões de exercícios, eu sempre precisava de objetivos específicos, para fazer a adrenalina fluir. E foi assim que aprendi que estar no alto da montanha é mais difícil que escalá-la.

Vendas por correspondência, ia às aulas de interpretação, ia à faculdade, malhava três horas por dia e trabalhava em obras de construção. Era demais para uma pessoa só. Muitas vezes, me sentia sobrecarregado e começava a pensar: “Como posso continuar dando conta de tudo isso?

Conan não faria isso ao embainhar a espada. Além, é claro, de ter que ser ambidestro. Tudo isso se aprende à custa de muita repetição. É preciso treinar cada movimento 30, 40, 50 vezes até dominá-lo plenamente. Desde a época do fisiculturismo, eu aprendera que tudo na vida é questão de repetição e prática. Quanto mais você esquia, melhor saberá esquiar; quanto mais repetições fizer, melhor será o seu corpo. Acredito muito em trabalhar duro, em suar a camisa e não parar antes de alcançar o objetivo, então esse desafio me atraía.

Política

Para os políticos, falei: “Ser moderado não é sinônimo de ser fraco, ou sem-graça, ou indeciso. Ser moderado significa ser bem equilibrado, bem fundado. O povo americano é instintivamente centrista. Nosso governo também deveria ser assim. Os partidos políticos dos Estados Unidos deveriam voltar ao centro, que é onde o povo está.”

E lembrei aos eleitores: “A esquerda e a direita não detêm o monopólio da consciência. Não podemos deixá-las pensar que detêm. É possível ser moderado e ter princípios. É possível buscar um consenso e manter as próprias convicções. Existe princípio maior do que ceder parte de sua posição em nome de um bem mais importante? Foi assim que conseguimos chegar a uma Constituição neste país. Se não tivessem entrado em um acordo, nossos Pais Fundadores estariam reunidos até hoje no Holiday Inn de Filadélfia.”

Referências de Schwarzenegger

Era uma daquelas pessoas que não se cansam com facilidade. Diariamente, para começar, ele fazia 10 séries de 20 barras. Não eram exercícios para as costas. Era apenas para se aquecer. Todo santo dia. Sergio tinha várias técnicas pouco comuns que eu podia usar. No supino com barra, ele fazia meias repetições, sem nunca dobrar completamente os cotovelos.

Ali estava sempre disposto a dizer e fazer coisas memoráveis e atrevidas. No entanto, de nada vale ser atrevido se você não tiver estofo para sustentar essa atitude – ela não vai lhe servir de nada se você for um fracassado. Aliado a sua condição de campeão, o atrevimento era o que fazia a estratégia de Ali funcionar.

Ronald Reagan era famoso por escrever longas cartas de amor para a mulher, Nancy, enquanto ela estava sentada bem do outro lado da sala. Eu costumava pensar: “Por que ele simplesmente não fala com ela?” Mas então percebi que escrever algo é diferente de falar – e também que as histórias de amor se baseiam nas idiossincrasias de cada um.

Mandela, é claro, era um verdadeiro herói para mim. Eu ficava todo arrepiado a cada vez que o ouvia discursar sobre inclusão, tolerância e perdão – o contrário do que se poderia esperar de um negro em um país branco racista que havia apodrecido na prisão por 27 anos. Uma virtude assim é algo raríssimo, principalmente na prisão, então para mim era como se Deus o houvesse colocado entre nós.

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