O Poder do Hábito, de Charles Duhigg

o-poder-do-habitoO Poder do Hábito, de Charles Duhigg, foi um dos livros mais interessantes que li em 2013. Ele elucida, de maneira simples e inteligível – e muitas vezes com resultados de pesquisas e experimentos realizados, alguns porquês referentes às rotinas das pessoas e estratégias para a transformação de metas em atitudes. De forma direta e com muitos exemplos, retrata como um hábito pode tornar-se um grande aliado para a busca de objetivos de vida (desde um simples hábito alimentar até práticas complexas) ou, também, um inimigo ao ponto de transformar-se em um vício.

O livro percorre a utilização dos hábitos não somente nos âmbitos pessoal e profissional de cada indivíduo, mas também em ramos estratégicos de empresas. De forma que, de maneira pré-concebida, existem empresas que utilizam deste poder do hábito para fisgar novos clientes e alavancar suas vendas. Outras utilizam hábito para estabelecer sua cultura.

O seguinte parágrafo resume o teor de seu conteúdo. “Centenas de hábitos influenciam nossos dias — eles orientam o modo como nos vestimos de manhã, como falamos com nossos filhos e adormecemos à noite; eles afetam o que comemos no almoço, como realizamos negócios e se vamos fazer exercícios ou tomar uma cerveja depois do trabalho. Cada um deles tem uma deixa diferente e oferece uma recompensa única. Alguns são simples e outros são complexos, apoiando-se em gatilhos emocionais e oferecendo prêmios neuroquímicos sutis. Porém todo hábito, por maior que seja sua complexidade, é maleável. Os alcoólatras mais viciados podem ficar sóbrios. As empresas mais disfuncionais podem se transformar. Um menino que largou o ensino médio pode se tornar um gerente bem-sucedido. No entanto, para modificar um hábito, você precisa decidir mudá-lo. Deve aceitar conscientemente a dura tarefa de identificar as deixas e recompensas que impulsionam as rotinas do hábito e encontrar alternativas. Você precisa saber que possui o controle e ser autoconsciente o bastante para usá-lo ”

Abaixo alguns highlights que separei. Existem algumas palavras utilizadas nestas aspas que podem soar fora de contexto (como rotina, deixa, anseio, recompensa etc). Recomendo sua leitura para que você tenha um entendimento completo sobre a proposta do livro. Para comprá-lo, clique aqui.

“Isso explica por que é tão difícil criar o hábito de fazer exercícios, por exemplo, ou de mudar nossa alimentação. Uma vez que adquirimos uma rotina de sentar no sofá em vez de sair para correr, ou de fazer um lanchinho sempre que passamos por uma caixa de donuts, esses padrões continuam para sempre dentro das nossas cabeças.”

“Os experimentos de Squire com Eugene revolucionaram a compreensão da comunidade científica de como o cérebro funciona, provando de uma vez por todas que é possível aprender e fazer escolhas inconscientes sem ter nenhuma lembrança da lição ou da tomada de decisão.”

“Estudos sobre pessoas que conseguiram instaurar novas rotinas de exercícios, por exemplo, mostram que é mais provável elas se manterem fiéis a um plano de exercícios se escolherem uma deixa específica, tal como correr assim que chegam do trabalho, e uma recompensa clara, como uma cerveja ou uma noite de TV sem culpa.

“Pesquisas sobre dietas dizem que criar novos hábitos alimentares exige uma deixa predefinida — como planejar os cardápios com antecedência — e recompensas simples para aqueles que persistem em suas intenções.”

“Hábitos especialmente fortes, escreveram dois pesquisadores da Universidade de Michigan, geram reações semelhantes às de vícios, de modo que “o desejo evolui para um anseio obsessivo” que pode forçar nossos cérebros a entrar em piloto automático, “mesmo diante de fortes desincentivos, incluindo perda de reputação, emprego, lar e família”.”

“O mesmo processo que torna o A.A. tão eficaz — o poder de um grupo de ensinar indivíduos a acreditar — acontece sempre que as pessoas se juntam para se ajudar mutuamente a mudar. A fé é mais fácil quando acontece dentro de uma comunidade. (…) Mas isso não é suficiente. Para que um hábito continue mudado, as pessoas precisam acreditar que a mudança é possível. E na maior parte das vezes, a fé só surge com a ajuda de um grupo.”

“Os hábitos angulares explicam como Michael Phelps tornou-se um campeão olímpico, e por que alguns estudantes universitários têm um desempenho melhor que o dos colegas. Eles esclarecem por que algumas pessoas, após anos de tentativas, de repente perdem 9 quilos enquanto se tornam mais produtivas no trabalho e ainda conseguem chegar em casa a tempo para jantar com os filhos.”

“Os indivíduos têm hábitos; os grupos têm rotinas”, escreveu o acadêmico Geoffrey Hodgson, que passou toda sua carreira examinando padrões organizacionais. “As rotinas são o equivalente dos hábitos nas organizações.”

“Pequenas vitórias alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens minúsculas a padrões que convencem as pessoas de que conquistas maiores estão dentro de seu alcance.”

“Para ter sucesso, eles precisam de um hábito angular que crie uma cultura — tal como uma reunião diária de amigos com mentalidade semelhante — para lhes ajudar a encontrar a força necessária para superar obstáculos. Hábitos angulares nos transformam criando culturas que deixam claros os valores que, no calor de uma decisão difícil ou de um momento de incerteza, talvez acabássemos esquecendo.”

“…a força de vontade é uma habilidade que se pode aprender, algo que pode ser ensinado assim como as crianças aprendem matemática e a dizer “obrigado”.”

“Não estamos no ramo do café servindo pessoas”, me disse Howard Behar, ex-presidente da Starbucks. “Estamos no ramo das pessoas servindo café. Todo o nosso modelo de empresa é baseado num atendimento espetacular. Sem isso, estamos perdidos.”

“Na verdade, uma crise é uma oportunidade tão preciosa que um líder sábio muitas vezes prolonga de propósito um senso de emergência.”

“…os executivos sábios procuram momentos de crise — ou criam a percepção de uma crise — e cultivam a sensação de que algo precisa mudar, até que todos finalmente estejam prontos para reformular os padrões com os quais convivem todos os dias.”

“Afinal, mulheres grávidas e novos pais são o santo graal dos varejistas. Praticamente não existe um grupo mais rentável, mais faminto por produtos e indiferente aos preços. Não são apenas fraldas e lencinhos umedecidos. Pessoas com crianças pequenas ficam tão cansadas que compram tudo aquilo de que precisam — suco e papel higiênico, meias e revistas — onde quer que comprem mamadeiras e papinha.”

“Seja vendendo uma nova música, uma nova comida ou um novo berço, a lição é a mesma: se você veste alguma coisa nova em hábitos antigos, fica mais fácil para o público aceitá-la.”

“Historicamente, na neurociência, vem-se dizendo que pessoas com lesões cerebrais perdem parte de seu livre-arbítrio”, disse Habib. “Mas quando um jogador patológico vê um cassino, o caso parece muito semelhante. Parece que ele está agindo sem escolha.”

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