A Beleza do Rei, de Stênio Marcius

Este domingo tive novamente a satisfação de encontrar o casal Selma e Stênio Marcius e, meus ouvidos, o privilégio de ouvir a poesia e o violão de Stênio, na Estação São Paulo do Caminho da Graça. Sempre com novidades lapidadas com muito amor e talento, destaco duas lindas orações que Stênio cantou, ainda não gravadas, e que falam sobre as facetas daquele homem especial (Prelúdio do Deus homem), e também sobre uma oração de confissão de Santo Agostinho – Tarde te amei – que Stênio musicou com Diego Venâncio.

Mas este post é para falar sobre seu álbum mais recente, A Beleza do Rei, um álbum com uma densidade ímpar, com canções compostas por Stênio, produzido pelo violonista Silvestre Kuhlmann, exceto pela música “É nele”, por Diego Venâncio.

Antes de falar sobre as canções, gostaria de deixar registrado ao casal Stênio e Selma a minha admiração por seu ministério e minha alegria por ter o privilégio de ser seu irmão em Cristo.

Stênio Marcius e Selma Nogueira na Estação São Paulo do Caminho da Graça.

] Stênio Marcius e Selma Nogueira na Estação São Paulo do Caminho da Graça.

1 – A Beleza do Rei
Esta canção, que transborda brasilidade, retrata a alegria que preenche o coração daquele que louva ao Eterno. Ao constatar a sua beleza, todos os sentidos do poeta imploram por expressar tamanha formosura. Ele não precisa elocubrar ou divagar, mas apenas expressar a mais pura admiração ao olhar para o Rei.

2 – É Nele
Na igreja primitiva, os profetas eram canais através dos quais Deus transmitia uma orientação especial (Ex: Ágabo, At 11: 28; 21: 10 e 11; e Judas e Silas, At 15: 32). Agora, por que falo isso? Neste mundo contemporâneo, cada vez mais as pessoas veem Deus como uma entidade distante e, infelizmente, até mesmo cristãos, muitas vezes, sem perceber, mantém uma relação fria com um Deus supostamente tirano, com pouco diálogo e participação em suas vidas. Em minha visão, assim como Stênio fez em “O Tapeceiro“, nesta música ele foi um instrumento de Deus para mostrar às pessoas como Ele deseja ser conhecido e sentido pelos Seus. É nele que tudo acontece, desde a batida do coração até a maior manifestaçõa de amor.

3 – Pra Renascer
Singela poesia que mostra o milagre do renascimento. Ela apresenta o ciclo da semeadura, em que a semente plantada precisa ser regada, cuidada e, ao fim, crescer e germinar. Este ciclo é análogo àqueles – cansados e aflitos – que buscam a verdadeira água da vida, o Criador, quem os fará renascer e deles brotar o que há de melhor.

4 – Máscaras no chão
Ninguém será o mesmo após ser tocado por aquele homem. Não importa quais sejam as intenções ou quantas máscaras sejam colocadas na frente do olhar daquele homem. O sujeito desta poesia envergonha-se frente à vida existente em suas palavras e a presença constante de paixão e autoridade. Mesmo com o intuito de persegui-lo, as máscaras são jogadas ao chão e o algoz torna-se servo.

5 – Confissões de uma figueira**
Mais uma daquelas preciosidades de Stênio que trazem lágrimas e reflexão. Por Sua graça, esta poesia também traz consigo admoestação e convite à conversão. Com referências dos textos de Mateus 7 e João 15, ela apresenta a visita do lavrador à figueira, que está seca e sem frutos. A figueira envergonha-se pela situação em que se encontra, entretanto, toma uma atitude frente ao conselho do lavrador: “alimenta a multidão”. Com esta mudança de mente, a figueira decide ser útil e buscar suas forças nas águas puras e, por fim, frutificar.

6 – Certezas
Sublime. Esta conversa de Pedro com Jesus (Lucas 5) ilustrada pelo Stênio é uma preciosidade imensurável. Ela retrata o caminho comum daquele de recebe um convite do Salvador. Uma prepotência inicial (“quer dizer que você quer me ensinar sobre o que faço melhor em minha vida?”) é derrubada pelo poder incomparável presente naquele ser santo. Ele reconhece que todas as suas convicções transformaram-se em ruínas naquele momento, e reconhece sua condição de servo. Humilhado, só lhe resta um pedido: “Retira-te de mim, porque sou pecador! Mas deixa vir no vento teu perfume, tua voz, teu ser que é santo!”

7 – Face a face
Em analogia à luta de Jacó com Deus (Gênesis 32), o homem reconhece seus maus caminhos, suas muitas lutas com o Criador e sua total incapacidade de render-se a seu amor. Enfim, ele implora que seu Senhor fique, transforme-o a qualquer preço, e, mesmo que com feridas externas, seu interior esteja curado. É um retrato do trajeto da caminhada daquele que deseja ser um verdadeiro discípulo.

8 – Lírios e pardais**
Baseado no texto de Mateus 6, em que Jesus subiu ao monte e passou a dizer a seus discípulos e à multidão, o texto fala sobre o valor que Deus dá às pessoas. Em um dos textos mais lindos da Bíblia, o Deus conosco apresenta as maravilhas da natureza (a liberdade das aves do céu, que não semeiam mas têm seu sustento provido por Deus; a beleza dos lírios do campo, cujas cores e formas são mais formosas e estonteantes que qualquer veste que um rei poderia usar) e fala que nós, os seres criados à sua imagem e semelhança, somos mais importantes que toda essa beleza natural.

9 – A Capa e o Mestre
Stênio narra poeticamente a cura da cegueira de Bartimeu, filho de Timeu, por Jesus, enquanto caminhava saindo de Jericó (Marcos 10), sob a ótica do neto de Bartimeu, quem, ao ver uma capa guardada, pede que seu avó conte novamente a história daquela capa. A linda prosa tornou-se ainda mais resplandecida em todas as suas ênfases: “Tem compaixão, Filho de Davi, misericórdia, Jesus, de mim!”, “Senhor, estou te vendo. Já posso enxergar!” e diálogos: “Vovô, me conta aquela história da capa e do querido Mestre?”, “Eu era cego e mendigava com esta velha capa”.

10 – Canta assim mesmo
Cantar é uma oração. Esteja triste ou feliz, o cantar traz consigo um inexprimível poder de revigorar as forças, de alegrar o espírito e alimentar a alma. Seria demasiada ousadia tentar explicar esta preciosidade. Nada como um trecho da canção para mostrar o poder do canto: “Canta que o vento sopra mais leves, que as folhas brilham mais verdes, que o rio corre mais sábio. Canta que um anjo abre um sorriso e o céu azul, comovido, se esconde em nuvens e faz chover.”

11 – A santidade é leve
Já tinha ouvido esta música tantas vezes e nunca havia sido impactado com a singeleza de seu significado. Por experiência própria, em minhas discussões com Deus, muitas vezes pedi por grandes sinais de sua atuação, sendo que os sinais sempre estiveram ali, presentes, ao meu lado ou dentro de mim. Nesta poesia, o autor procura pelo Senhor em ventos fortes, em terremotos e em meio ao fogo, mas, nunca o encontra. O real encontro dá-se quando ele sente uma leve brisa em seus cabelos.

12 – Na Glória do Poder
Para finalizar este excelente álbum, um xote alegre que, só por seu ritmo, já é um convite à dança. A poesia é um retrato do “todo olho verá” com um tempero bem brasileiro. Delícia para os ouvidos.

Com “A Beleza do Rei”, Stênio mostra uma coletânea mais variada que a anterior, “Canções à meia-noite“, álbum mais intimista, gravado com voz e violão, entretanto, mantém sua já conhecida qualidade musical e seu português impecável, além de uma fonte de poesia, musicalidade, comprometimento com o Evangelho e humildade comuns àqueles que têm intimidade com Jesus de Nazaré.

Para adquirir os CDs de Stênio: 11 3763 2437 ou sdeoliveiranogueira@gmail.com.

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