Pai Rico Pai Pobre, de Robert Kiyosaki

Desde sua primeira edição, em 2000, este livro de Robert Kiyosaki vendeu milhões de exemplares no mundo inteiro e conquistou inúmeros fãs e incontáveis críticos. Antes de iniciar sua leitura tentei analisar o terreno onde pisava para não simplesmente mergulhar seu interior e absorver conteúdos que não fossem tão interessantes sem a mastigação necessária. Aliás, geralmente faço isso antes de ler qualquer livro. Saber o que falaram dele, as principais críticas e ler alguns parágrafos sobre seu autor.

Pai Rico Pai Pobre, de Robert KiyosakiArmadura colocada, escudo em mãos, vamos à leitura.

Por este texto tratar-se apenas de minha experiência ao ler o livro, certamente não aprofundar-me-ei nas ideias por ele defendidas – ou vendidas -, mas posso dizer que foi uma rica (com trocadilho) leitura, que me ensinou vários conceitos interessantes e também vendeu-me (outro trocadilho) uma nova forma de pensamento, um diferente approach sobre como lidar com finanças, objetivos de vida e, principalmente, chacoalhar meus brios.

O livro apresenta a história do próprio autor, que cresceu sob a influência de “dois pais”, seu pai biológico, um homem instruído, docente universitário, que ganha um bom salário e possui uma grande carreira profissional e acadêmica, e seu pai rico, o pai de seu melhor amigo, que era diferente de todos os adultos que ele conhecia, pois, mesmo sem um currículo invejável de conquistas acadêmicas, era dono de negócio e tinha muito dinheiro, ao contrário de seu pai biológico, quem, mesmo possuindo um bom salário, sempre passava por dificuldades financeiras. No decorrer do enredo, Robert Kiyosaki apresenta essas diferenças entre seus pais e o que aprendeu com seu pai rico.

Desta forma, reuni em alguns pontos os principais conceitos por mim absorvidos com esta leitura.

O dinheiro não pode ser tratado como inimigo.
Por exemplo, um dos pais dizia: “O amor ao dinheiro é a raiz de todo mal.” O outro: “A falta de dinheiro é a raiz de todo mal.”
Obviamente não concordo com a literalidade da frase, mas ela, inserida corretamente em seu contexto, é louvável. Ambos os extremos são prejudiciais mas é certo que, em um mundo em que o dinheiro vale mais do que qualquer outra coisa, sua falta realmente pode transformar-se na raiz de muitos males.

Por que seguir o caminho natural das coisas e não arriscar? Saia da zona de conforto.
Por exemplo, um pai costumava falar “Não dá para comprar isso”. O outro proibia o uso dessas palavras. Insistia em que eu falasse: “O que posso fazer para comprar isso?” Num caso temos uma afirmação, no outro uma pergunta. Um deixa você sem alternativa, o outro obriga você a refletir. Meu pai-que-logo-ficaria-rico explicava que ao falar automaticamente “Não dá para comprar isso” seu cérebro para de trabalhar. Ao perguntar “O que posso fazer para comprar isso?”, você põe seu cérebro trabalhando.
A zona de conforto, observada sob o prisma financeiro, é o oposto de seu significado. Ou seja, é o total desconforto financeiro. Pensar em formas para atingir-se o objetivo de ter ou comprar algo é um exercício vital para buscar novas oportunidades e, nesta busca, conhecer novas pessoas, novos lugares, adquirir novos conhecimentos e, por fim, ampliar o leque de possibilidades para novas formas de sucessos financeiros.

Não tenha medo. Arrisque, ouse e faça o dinheiro trabalhar para você e não o contrário.
Há uma diferença entre ser pobre e estar quebrado. Estar quebrado é algo temporário, ser pobre é algo eterno;
A causa principal da pobreza ou das dificuldades financeiras está no medo e na ignorância, não na economia, ou no governo ou nos ricos. E o medo que instalamos em nós mesmos e a ignorância que mantêm as pessoas presas na armadilha.

A regra é simples. Aprendendo sobre como funciona o mundo e a função do dinheiro nele inserido, o próximo passo é exercitar o cérebro para buscar formas de estar por cima na cadeia predatória do capitalismo e deixar de ser a frágil presa. Tal aprendizado envolve o conhecimento (e atitude) sobre o real valor do verbo comprar e todos os adjuntos a ele inerentes, seja o adverbial de tempo (quando comprar), de modo (como comprar), de intensidade (quanto comprar) e principalmente o objeto direto (o quê comprar). Neste último, é vital entender a diferença entre os passivos e ativos. Ao invés de explicar a diferença entre eles (recomendo a leitura do livro), uma frase explica em bom português como entendê-los: “Todos receberam dois grandes dons: sua mente e seu tempo. Cabe a você fazer o que quiser com ambos. Você e só você tem o poder de determinar o destino de cada nota de dólar que chega a suas mãos. Gaste-a tolamente, você escolheu ser pobre. Gaste-a com passivos, você fará parte da classe média. Invista-a em sua mente e aprenda a adquirir ativos e você estará escolhendo a riqueza como seu objetivo e seu futuro.”

Pluralize. Não tenha apenas uma fonte de renda.
“O McDonald’s é hoje o maior proprietário individual de terrenos no mundo, superando até a Igreja Católica. Atualmente, o McDonald’s é proprietário de alguns dos cruzamentos e esquinas mais valiosos não só dos EUA como também de outras partes do mundo.”
Como parte do exercício de fazer o dinheiro transformar-se em mais dinheiro, é imprescindível a análise de diferentes maneiras de geração de renda. Alie-se a pessoas capazes (e confiáveis) e estude sobre as mais diversas áreas que estejam em alta ou sejam prováveis bons negócios hoje ou em um curto prazo. Além dos já conhecidos mercados imobiliário e ações, as áreas de serviços e comércio sempre possuem pequenas (ou , às vezes, grandes) lacunas que podem ser preenchidas com um mínimo esforço e podem gerar ganhos exponenciais.

Será que o que te ensinaram foi o correto?
É por isso que me arrepio toda vez que ouço um pai aconselhar seu filho a estudar para poder conseguir um bom emprego seguro. Um empregado com um emprego bom e seguro não tem escapatória.
Eu cresci em meio à imutável ideia de que a ordem natural das coisas é: estude bastante e seja um bom aluno, faça uma boa faculdade, garanta um bom emprego e faça carreira nele para garantir uma boa aposentadoria. Não somente este livro me apresentou uma visão diferente, mas também outras referências recentes, como o filme Wall Street (1987 e 2010) e textos do educador Ken Robinson, quem apresenta uma nova visão sobre a forma atual de educação, mas isso será assunto para outro post. De qualquer forma, para muitas pessoas o caminho citado nas aspas acima é o aceitável e louvável, contudo, para mim, houve um despertar quanto às decisões que devo tomar para moldar minha aposentadoria.

Dê em primeiro lugar
Meu pai instruído costumava dizer sempre: “Quando tiver algum dinheiro extra, vou doá-lo.” O problema é que nunca havia um extra. Trabalhava sempre mais para conseguir mais dinheiro em lugar de concentrar-se na principal lei do dinheiro “Dai e recebereis”. Ele acreditava no contrário: “Recebe e darás.”
Achei muito interessante este conselho do pai rico. Se realmente houver a metanoia necessária para buscar-se o dinheiro com ousadia e, principalmente, se houver confiança que seu trabalho não será em vão, esse passo às cegas (talvez devesse utilizar a palavra fé, mas não queria dar nenhum cunho transcendental a esta frase) será de grande proveito. Eu possuo minhas convicções e tenho para mim um significado único no doar, mas estas palavras me fizeram valorizar ainda mais o conteúdo do livro, de forma a não considerá-lo um culto ao dinheiro mas, sim, uma sugestão de equilíbro entre valores.

Não desista. Quedas devem ser tratadas como inspiração.
O fracasso inspira os vencedores. E o fracasso derrota os perdedores. É o maior segredo dos ganhadores. É o segredo que os perdedores não conhecem. O maior segredo dos vencedores é que o fracasso inspira a vitória; por isso, eles não têm medo de perder.
Ousar é preciso. Mas nem sempre os resultados serão o esperado. O livro enfatiza o valor do conhecimento, que é o principal responsável pela minimização dos riscos. Entretanto, mesmo com o nível necessário de conhecimento, às vezes as intempéries da vida trazem surpresas desagradáveis. Um investimento em fundos de capitais ou em novos negócios pode não render da forma esperada ou até mesmo quebrar devido a motivos quaisquer. Eis que o aprendizado toma – ou deveria tomar – lugar. Aprender com erros ou derrotas é fundamental para agir segundo os conselhos do pai rico.

Além destes existem muitos outros conteúdos por mim adquiridos. Guardei algumas dezenas de anotações deste livro e pretendo relê-lo em algum tempo e buscar outras literaturas específicas sobre investimentos. Ao findar este livro percebi que a principal razão das críticas a ele era o fato de os leitores o tratarem como um manual prático para enriquecimento ou um livro de auto-ajuda financeira. Mágica ele não fez. Não há receitas ou recomendações ao estilo step-by-step a serem seguidas. O que verdadeiramente existe é um chamado para um despertar financeiro, para uma nova forma de pensar que é acessível a todos. Cada pessoa possui um perfil diferente e deverá descobrir seu caminho rumo à riqueza. Suor sempre será preciso.

Minha única preocupação é a de que as pessoas nunca se esqueçam que existem valores que valem infinitamente mais que todo dinheiro do mundo.

Pai Rico Pai Pobre
Roberto Kiyosaki
Editora Campus
2000
186 páginas
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2 Comments

  1. Denis

    8 anos atrás

    Você praticamente resumiu o livro, rs… Brincadeira, o livro tem muito conhecimento para oferecer, espero que mais pessoas leiam esse livro, e que mais parceiras surjam entre as pessoas do nosso circulo de amizade.

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  2. juliano

    8 anos atrás

    olá Rodger tudo bem com você ,espero que sim,eu tenho este livro, um dos melhores que já adquiri em relação a finanças, ele é muito motivador, bom mesmo,gostei do que você comentou, do cuidado de não esquecermos dos valores pessoais, as vezes muitos se vendem para alcançar o sucesso, e isso é um grave erro ,porque a prósperidade ela é um todo,devemos prósperar em corpo,espirito e alma,(saúde,vida espiritual, parte material e moral) um complementa o outro, são as nossas necessidades.Até mais e um forte abraço!

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