Corrida #3: São Silvestre 2010

Sonho ou desafio? Sei lá. Talvez ambos. Só sei que consegui finalizar a minha primeira São Silvestre e a sensação é boa demais.

Eu e meu filhão antes da corridaQuando tive meu primeiro contato com o treinador Leonardo Lima, da assessoria de corrida Running Health, em outubro de 2009, disse que meu objetivo era participar da São Silvestre de 2010, mas falei da boca pra fora, pois não tinha a mínima ideia de que poderia algum dia ser capaz de correr quinze quilômetros.

E nesses quinze meses que me separavam da matrícula ao dia da grande vitória do brasileiríssimo Marilson Gomes dos Santos, confesso que fui um péssimo aluno. Com mood swings, faltas aos treinos na USP, teimosias reincidentes e treinos semanais meia-boca fui empurrando este meu objetivo para 2012 ou, quem sabe, para o tempo vigente na terra de Peter Pan.

Mesmo assim, aos trancos e barrancos, consegui fazer duas provas no ano: a xTerra Night Trail Run Ilhabela e o Circuito das Estações Adidas – Primavera, ambos de 10km. A partir delas que vi que a minha teimosia também poderia trabalhar em meu favor e foi ela mesma que, em uma sexta-feira qualquer, acessou o site, fez a inscrição para a SS 2010, realizou o pagamento e difundiu a informação para amigos, parentes e conhecidos.

Descobri que essa tática é boa, afinal, se tem mais gente sabendo do assunto, é mais difícil de pular do barco, ou seja, coloco mais responsabilidade sobre mim, sabendo que haverá pessoas torcendo para que eu consiga chegar ao final. E, neste primeiro dia de 2011, ainda com muitas dores musculares e consciente de que poderia ter treinado mais, vejo que valeu a pena.

Equipe Running Health na SS2010

Chegou o dia 31 de dezembro e, após reunir-me com o pessoal da RH, tirar fotos e fazer o alongamento, parto para os quinze quilômetros mais longos da minha carreira de atleta pré-amador (risos). Lembrando os conselhos do Leo, sigo um ritmo bem leve na traiçoeira descida da Consolação e, enquanto observo abismado pela quantidade de gente correndo e assistindo, vejo também grandes adversários me ultrapassando: Raul Seixas, Senhor Chupeta, Tiririca e até a Nossa Senhora de Aparecida. Tudo bem. Eu já tinha lido que isso iria acontecer e continuei com meu semblante sério e concentrado na corrida, mantendo meu pace de 7:30 a 8:00 min/km.

Por volta do km 8, ao final do elevado Costa e Silva, as pessoas na janela já gritavam avisando que Marilson tinha vencido. Um morador mais exaltado retirou risos gerais dos corredores quanto gritou: “deu Maurício! deu Maurício!”. Anyway, foi revigorante ver a satisfação nos corredores, que recebiam apoio das pessoas nas calçadas e agora tinham mais um motivo para celebrar. Entretanto, para mim, apesar de também aproveitar o momento, comecei a sentir um cansaço físico já avançado, dando uma certa dormência em minha pernas e, no km 9, tive de fazer minha primeira parada. Caminhei por uns 500 metros e voltei a trotar bem lentamente, me esforçando para manter o foco e não desistir da batalha.

O percurso entre os km 12 e 14 foi bem interessante, pois, enquanto anestesiado com a dormência nas pernas, continuei a correr mas minha mente passou a viajar para além do que estava no âmbito do evento. Olhava as pessoas batendo palmas, gritando, sorrindo, via a sujeira que é/está a região central de São Paulo, olhava para cima e via apartamentos nefastos e gente que parecia morcego, se afastando da luz… que coisa estranha. Também tive tempo para observar com muita atenção a beleza da obra de Victor Brecheret em homenagem ao Duque de Caxias.

Todavia o inimigo final não era um Duque, mas sim um Brigadeiro. Queria ter tirado uma foto da imagem que tive logo que passei pelo Largo São Francisco: um mar de pessoas correndo em direção à Avenida Paulista, todos cientes de que aquela subida era a parte mais temida da prova. Último copo de água tomado, vamos lá!

Com passadas curtas e respirações longas fui vagarosamente me aproximando da próxima esquina, pois esta foi a métrica que achei pertinente para utilizar. Por trabalhar nesta avenida há sete anos, sabia que se dissesse para mim mesmo que faltavam somente 2,3km de subida, certamente eu desistiria. Então preferi dizer: “falta só uma esquina para chegar à Humaitá”, “só mais uma esquina para chegar à 13 de maio”, “só mais uma para chegar à Paulista”.

E foi nesta última curva que olho para meu lado e vejo uma noiva correndo em direção ao altar. Alucinação minha? Não era. Realmente uma mulher correndo vestida de noiva e com um buquê nas mãos era alvo das risadas e máquinas fotográficas de quem assistia.

Estafado mas feliz da vida corro só mais um pouco e celebro mais uma grande vitória em minha vida.

Agora só falta correr para casa e buscar a medalha, afinal, como todos já sabem, os mais-que-capazes e inteligentíssimos organizadores da Yescom preferiram dar a medalha a todos que pagaram e não aos que conquistaram a prova. Mas essa abundância de cretinice é papo para outro post, afinal, hoje é dia primeiro de janeiro de 2011 e só quero sorrir. Acabei de receber uma ligação de uma pessoa muito especial (a Cristina Esposito) e logo mais vamos nos encontrar com este casal que amamos muito.

Um feliz – e repleto de alegrias – 2010 para mim e, aos que leem, um 2011 com muito suor e incontáveis linhas de chegada alcançadas!

São Silvestre 2010
Data: 31 de dezembro de 2010
Local: Avenida Paulista, São Paulo, SP
Distância: 15km
Tempo: 01:59:25
Velocidade média: 7,30km/h
Pace: 08:13min/km

4 Comments

  1. Rivanor

    8 anos atrás

    A intenção foi realmente desejar um “Feliz 2010”? Just checking… 🙂

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    • admin

      8 anos atrás

      (risos) A intenção foi enfatizar que meu 2010 foi um ano muito feliz! E fechei-o com minhas expectativas alcançadas (pelo menos as que se referem ao objetivo de participar da SS). Mas seu comentário é mais que válido. Assim, vou remover a ambiguidade rsrs. Abraços!

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  2. Denis

    8 anos atrás

    Aew Glaubão, no próximo ano quero ver o patrocínio da Dengler nessa camiseta!

    Reply
    • admin

      8 anos atrás

      Opa! Certamente estará lá 🙂

      Reply

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