Jornalismo esportivo do bem: Na Geral

Talento, humor de primeira, futebol e espiritualidade como devem ser. Esta é uma breve definição para o programa de humor esportivo Na Geral, apresentado pelo trio Beto Hora, Lélio Teixeira e José Paulo da Glória, de segunda a sexta, das 18h às 20h na rádio Bandeirantes, em São Paulo.

Na GeralDurante as manhãs, o dial do rádio no carro sempre teve uma frequência fixa: CBN (90.5 Mhz), com o sempre ótimo Heródoto Barbeiro e uma grande equipe de repórteres e colunistas. Agora, para a terrível hora do rush, que a cada ano parece ser mais imprecisa – e, em breve, desaparecerá em meio à loucura do caótico trânsito de São Paulo -, eu costumava ouvir Bossa Nova para acalmar minha atribulada mente. Foi quando descobri a Rádio Sulamérica Trânsito, que forneceria alternativas para que meu caminho de volta ao descanso diário fosse mais tranquilo. Apesar das ótimas dicas fornecidas pela equipe da rádio e também por outros motoristas na cidade, em poucos meses descobri que não havia tantas alternativas disponíveis para mim, ou seja, teria de me acostumar a enfrentar o eixo norte-sul (23 de maio, Rubem Berta, Moreira Guimarães e Washington Luís) e o trajeto Centro-Butantã da maneira mais branda possível.

Certo dia, trocando de rádio, passei pela Bandeirantes e ouvi a voz de uma senhora engraçada, simples e até um pouco rude. Em princípio achei que se tratava de alguma ouvinte conversando com os protagonistas de algum programa esportivo mas, em pouco tempo, descobri que a tal da senhora era a Dona Inês, uma das personagens do programa e, impressionantemente, uma das faces (ou vozes) de Beto Hora.

Lélio Teixeira, Zé Paulo da Glória e Beto HoraAdmiração à primeira vista e cadeira cativa reservada. Diariamente passei a perceber que o público ouvinte do Na Geral era formado por crianças, mulheres solteiras e casadas, avôs e avós e, por último, homens que estão no trânsito e gostam de futebol. Isso mesmo, a qualidade do trio do programa (e da equipe responsável) foi capaz de fazer do futebol um assunto agradável de se ouvir ao fim de um dia útil por aqueles fora do padrão visto na sociedade brasileira (amigos e colegas de trabalho que “se zoam” em uma quinta ou segunda-feira após as rodadas dos campeonatos). Percebo que assim como donas de casa assistem aos programas da tarde para saber das novidades das novelas, do horóscopo ou pegar uma receita nova para preparar para a família no fim de semana, elas também gostam de dar risada enquanto acompanham o futebol.

Eu mesmo, que a cada dia fico mais desgostoso com o futebol no Brasil por sentir que não mais existe a paixão no esporte e também por saber da forma como ele é tratado atualmente por jogadores, dirigentes e investidores, consigo deixar essa revolta de lado para rir um pouco das brigas entre o Zé Paulo (corinthiano roxo) e o Charuto (um fanático – e naftalinado – torcedor do ‘Parmera’), o carinho com que Lélio Teixeira trata os ouvintes, sempre terminando os programas com um sincero e confortante “fiquem com Deus!”, sem falar em todas as personagens interpretadas pelo Beto Hora, como a Dona Inês, Seu Geraldo, Vila, Professor Sérgio, Cláudio Zaidan, Milton Neves, Cid Moreira, Francisco Cuoco, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Padre Quevedo e outras dezenas de interpretações que fazem chorar de rir. Lógico que, sempre, com muita informação sobre a rodada do futebol e excelente cobertura da equipe de jornalismo da Band, que conta com os muito capazes Antônio Petrin, Claudio Zaidan, Alex Miller, Leandro Quesada e outros.

Minha única ressalva vai para a quantidade excessiva de merchans durante o programa. Para mim, o intervalo já é tempo mais do que suficiente para veicular as propagandas de todos os parceiros e patrocinadores. Mesmo assim, durante as ligações com ouvintes ou informações sobre os times, há interrupção para falar da empresa A, do parceiro B ou do patrocinador C. Anyway, dos males o menor. Para mim, compromete um pouco a credibilidade, mas, ao menos, até nessa hora utilizam o humor de forma magnífica e também parecem selecionar bons provedores de produtos ou serviços e não apenas aquele que pagar o preço cobrado. Difícil depois é tirar da cabeça os jingles “Fez de alvenaria esta caixa de gordura…”, “Entrei pelo cano, só resta lamentar..” e o clássico “Vem, vamos bater um papo, não vou te encher o saco, vamos falar de amor” (risos)

Aproveitando que falei sobre meu desgosto com o futebol atual, sugiro que mais pessoas atentem à informação produzida por jornalistas sérios, geralmente independentes, que prezam pela informação imparcial e investigativa, que denunciam a farra vista no mundo do futebol, que envolve sujeira, manipulação, muita corrupção, grampos, ameaças e perseguições e coisas que nem sequer imaginamos. Acompanhe o ótimo trabalho de Jorge Kajuru, Paulinho e Juca Kfouri.

Pra finalizar, como o assunto do post é humor de qualidade, anotem esta dica muito importante para antes de sair do trabalho e escutar o Na Geral: não vá para o carro apertado porque, como diz o Marco Luque, o programa é de “se mijá de rir”.

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