Por que Portugal foi pioneiro na expansão marítima?

“As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;”

Luiz Vaz de Camões, Os lusíadas

Ó, raios! Qual foi a combinação de fatos que culminou com o desbravamento de “mares nunca dantes navegados” e a consequente chegada à Terra de Vera Cruz? Por que não a Inglaterra? Por que não a Espanha?

Ok. Vamos ao background. Era 1150 D.C., a Europa tentava se reconstruir das ruínas do Império Romano. O poder se descentraliza. A agricultura cresce com o derrubamento de florestas e o secamento de pântanos. Regiões passam a especializar-se em determinados produtos, o que, por outro lado, traz a necessidade daqueles não possuídos ou produzidos. Com isso, cresce o comércio e, gerenciadas por esta necessidade da troca, as cidades tornam-se ilhas de relativa liberdade, reunindo comerciantes, artesãos e servos em busca de vida nova longe do campo. A partir do século XIII algumas batalhas se passam e fronteiras começam a ficar definidas, como no caso da França, Inglaterra e Espanha, que são praticamente as mesmas até hoje. Com esta delimitação Estados nascem e o poder inicia processo de centralização, que gerou uma pirâmide em cujo topo estava o príncipe, seguido pela nobreza. Seguem, nos séculos posteriores, diversas disputas por territórios e expansões em toda a Europa, causando guerras, problemas sociais gravíssimos, escassez de alimentos, epidemias (sendo a mais famosa a Peste Negra, entre 1347 e 1351).

Apresentado o cenário europeu ocidental, vamos falar um pouco sobre a expansão marítima portuguesa. Conforme conhecido desde o ensino fundamental, Portugal tem uma posição geográfica muito privilegiada, com o Atlântico e o Mediterrâneo logo em seu quintal. Os genoveses haviam ajudado Portugal no decorrer dos séculos XIII e XIV no conhecimento de técnicas de navegação, fazendo de Lisboa um grande centro mercantil. E, com esta colaboração por parte dos italianos, que dominavam o comércio pelo Mediterrâneo, Portugal exerceu boas relações comerciais com o mundo islâmico.

E, além do conhecimento técnico, correntes marítimas favoráveis e com o desconhecido oeste a seu dispor, Portugal teve a “sorte” de possuir uma monarquia centralizada muito cedo, o que o tornou menos sujeito às disputas, guerras, batalhas e complicações pelas quais passavam outros países como Espanha, Inglaterra, França e Itália. Após a ascensão ao poder de D. João I, vinda com a Revolução de 1383-1385, houve um reagrupamento dos diversos grupos da sociedade: nobreza, comerciantes e a burocracia nascente, ratificando, desta forma, a estabilidade que favoreceu o expansionismo marítimo português.

Esta expansão trazia benefícios a todas as classes citadas. Para os comerciantes, era sinônimo de bons negócios. Para o rei, novas fontes de receita em meio a uma Europa em crise e também uma forma de ocupar a nobreza, evitando, assim, conflitos de interesses desnecessários. Para a nobreza e os membros da igreja a expansão significava prestígio, cargos e recompensas por servir ao Rei, seja no cumprimento das tarefas delegadas pelo rei ou na cristianização dos “povos bárbaros”. Por fim, para o povo, significava a emigração, uma vida melhor, uma fuga da opressão.

Agora, por que não buscar novas terras? E assim foi que os portugueses decidiram desbravar o oeste, à procura de beneficios materiais, como o ouro e diversas especiarias.

3 Comments

  1. André BS

    10 anos atrás

    Várias vezes me perguntei: “Por que não a Inglaterra? Por que não a Espanha?” Como a curiosidade não era muito grande, acabei por, até hoje, não investir meu tempo no assunto. Gostei de ler seu post. Conciso e esclarecedor. Muito bom!

    Reply
  2. Fernanda de Paula Pighini

    10 anos atrás

    Mt bom,me ajudou em um trabalho de Historia.
    parabens!

    tchau,bgd e bjs.

    Reply
  3. Usuário Anónimo

    10 anos atrás

    Ajudou-me num trabalho de história, está muito bem explicado.
    Obrigado!

    Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *